Wednesday, December 09, 2009

Cavalos Selvagens

Wild Horses - Guns N' Roses
Composição: Roling Stones


Wild Horses Cavalos Selvagens

Childhood living is easy to do Viver na infância é fácil
The things you wanted As coisas que você quis
I bought them for you graceless lady Eu comprei para você senhora desajeitada
You know who I am Você sabe quem eu sou
You know I can't let you slide through my hand Você sabe que eu não posso te deixar escapar de minhas mãos

Wild horses Cavalos selvagens
Couldn't drag me away Não podem me levar para longe
Wild, wild horses Cavalos selvagens, selvagens
Couldn't drag me away Não podem me levar para longe

I watched you suffer Eu assisti você sofrer
A dull aching pain Uma dor sombria agonizante
Now you're decided Agora você decidiu
To show me the same Me mostrar o mesmo
No sweeping exits Nenhuma saída devastadora
Or offstage lines Ou linhas atrás dos bastidores
Could make me feel bitter Podem me fazer sentir amargo
Or treat you unkind Ou tratar você indelicadamente

I know I've dreamed you Eu sei eu sonhei que você
A sin n' a lie Era um pecado e uma mentira
I have my freedom Eu tenho minha liberdade
But I dont have much time Mas eu não tenho muito tempo
Faith has been broken A fé tem sido quebrada
Tears must be cried Lágrimas devem ser choradas
Let's do some living Vamos fazer alguma vida
After we die Depois de morrermos

Wild horses Cavalos selvagens
Couldn't drag me away Não podem me levar para longe
Wild, wild horses Cavalos selvagens, selvagens
Couldn't drag me away Não podem me levar para longe

Thursday, December 03, 2009

Servidão - Letra de Rock/Poema de Silas Correa Leite


Letra de Rock (Quem Se Habilita a Musicar?)


Servidão


A servidão voluntária dos grupos
Tribais,
Sexuais,
Sociais
Cabeças vazias arrotando culpas
Sintomas de subcretinos insensíveis quase
Canibais


Todos submissos, pífios, incultos
Amorais,
Animais,
Consensuais
Mentes vagando no nada absoluto
Cotas de sem cérebro, hipócritas, janotas
Boçais


A servidão de condomínios insepultos
Letais,
Fecais,
Presenciais
Tribos, grupos, panelas, totens, posudos
Chacais


A solidão voluntária da falta de escrúpulos
A solidão voluntária da falta de escrúpulos
A solidão voluntária da falta de escrúpulos
-0-
Letra de Rock/Poema: Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm

Wednesday, November 25, 2009

Poema do Voo 447





AIR-BUS (FRANCE) VOO 447

I
Entre a água dos oceanos
E o sol límpido do quase além céu
O silêncio no todo entre derredor

A primeira nota do silêncio:
Não ter lugar de seu em self
Para ser chorado – e velado

A tristeza
Um exército de almas na
Tessitura do céu-mar-
Lágrimas

O aeroporto que nunca chega
A morte que talvez não exista

O horror, o estertor
O esplendor do vazio

A paz-aquilo(silêncio)
D.us?

II

Não haverá funeral, missa
Corpodespresente
Nem floração de lágrimas

Apenas o univer-sal?:
Oceano-universo-historial

A alma-valise
O espírito pleno flui o
Mar-da-tranquilidade

Viço-vida: o vôo, o outro

A morte é só na terra
(o silencial – tudo entre
O céu) infinito
Os oceanos – lágrimas
(de anjos)
Todos os sobre-
Viventes

III

No espírito e na liberdade

Nem culpas
Velocidades
Sistemas panes:

A fuselagem vítrea do
Self
(Céu)

A velocidade
Da purificação
Todos os chamados
Escolhidos

Não haverá mais dor
Assim na terra como no céu

Silêncio-quásar
Muito além da caixa-preta
Muito além do desjardim

-0-

Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br

Thursday, November 05, 2009

Microcontos de Silas Correa Leite

MICROCONTOS - Contos Encolhidos - Silas Corrêa Leite

Raposas

Chegou em casa e a mulher estava com o açougueiro na sua antiga cama
de casal. Já a vira com o padeiro, o lenhador, o entregador de raposas. Depois o leiteiro,
o encanador e o engolidor de fogos do Circo São Judas Tadheu. Foi pro quarto chorar
escondido. Fumou com um certo medo-coisa. Só tinha de vida o conhaque com Fernet,
o luar de Itararé, o violão e o dominó dominical com os amigos que o perdoavam por
ser impotente.

Vôo

Queria ter nascido Vôo de Pássaro e não Ser "humanus", disse certa vez o
pianista chorão à imã micro-empresária. Ela assustou-se a principio, mas estava
acostumada com ele que era mais novo e metido a Poeta Cubista e visionário nas horas
vagas. Quando o coitado finalmente um dia anoiteceu e não amanheceu nunca mais, ela
não se preocupou muito. Cuidou bem dos pertences íntimos, partituras clássicas e dotes
financeiros dele, porque também sabia escondido que, cada Pássaro pousa um dia e,
todo Vôo, cedo ou tarde vira cerca de tabuinhas brancas.

Gaiola

Criava pássaros raros. Além de pardais, corruíras, patativas, bem-te-vis
até alguns exóticos pássaros que sequer existiam. Quando a Polícia Florestal descobriu
foi preso por crime ambiental em flagrante delito sem direito a fiança. Na Cadeia
Pública de Itararé, triste e melancólico, sempre faminto e miserável canta Chitãozinho e
Xororó toda manhã e toda tarde que camufla no íntimo.

Finados

Vinham roubar flores no secreto jardim imperial todo dia de
Finados. Depois ele tinha trabalho dobrado para replantar, arar, colocar estrume e flor
de carinho para recuperar a invasão e o desperdício. Mas naquele dois de novembro
estava devidamente preparado. Armou a besta de mão e ficou esperando os guris
carvoeiros da periférica Vila dos Pobres de Itararé.

Ninhos

Para a Memória de Vladimir Herzog - Vlado)

“É preciso pagar nossa Taxa de Trevas”

(José Roberto Nool)

A estátua do Marechal Goiaba estava viva?. Bem esculpida em pedra-sabão, parecia
mesmo obra de gênio palacial, tal a qualidade estético-formal do desenho, do
acabamento e da vaidade do acerto garboso (e cheio de pompa) da arte final. Só os
pombos tinham medo dela, as chuvas tropicais desviavam de seu destino pétreo, e as
crianças ainda não desmamadas tinham vergonha do nojo oficial que ela provocava.
Mas, no Parque de Confinamento Redentor, as pessoas insensíveis como ovelhas
tosquiadas até a cumprimentavam, dando certo que era autoridade ilegal posando de
gente. Ou seria medo do Redil 3l de Março, um simbólico esgoto a céu aberto? O pior
foi quando a estátua começou a responder. Correu boataria por atacado. No entanto, um
político gagá, achando que aquilo tudo era obra de comunista provocador contra a
ordem militar do Ditador Lesma Três, mandou retirar a estátua doada pelas Moralistas
de Santana, e guardou aquele ícone sem controle num almoxarifado brechó (chamado
Bordel Excelência) do governo de exceção, com tudo aquilo de ruim que do regime de
arbítrio a estátua acintosamente representava, como corrupção endêmica
institucionalizada em todos os níveis, miséria absoluta, prostituição política e violência
secreta (e censurada) de ninhos de escorpiões. De lá nunca mais foi vista a obra com seu
oliva dolmã-de-tala. Somente estranharam o que encontraram no lugar dela, quase trinta
anos depois um monturo de sal cuja origem comprovadamente seriam lágrimas
equestres.

Relâmpago

O nome era Relâmpago mas poderia ser Serrote, Pelica ou Marrom.
Desde garraio ainda, já andava com passos nobres e tinha a crina como se arrebitada
para ornar-se. Na testa uma mancha branca em forma de estrela sobre meia lua. Um
final de exposição foi sequestrada e um bando exigiu alto resgate que o dono não tinha
condição de pagar. Apareceu morta meses depois, mas no corpo marrom-café já não
havia indício da estrela-lua. Tinha os olhos comido por formigas ou pássaros e o resto
da carne de égua sagrada nunca mais apodreceu.

Cego

Cego de nascença, aprendeu a ler no escuro. Desde pequeno os
livros lhe eram abertos, os toques lhe fundavam janelas, os sons lhe eram caminhos de
pedras, polindo vazios de serventias, ninhais e encantários em palavras timbrais. Um dia
achou um doador de córnea e pensou que os recursos adquiridos poderiam lhe render a
visão total. Não aceitou ser operado por conta do governo, nem enxergar no claro. Ficou
com medo de se olhar no espelho das pessoas e ter medo da escuridão que havia nelas.

(Conto lido por Antonio Abujamra no Programa Provocações da TV Cultura de São
Paulo)

Outra

Descobriu que o Pai tinha outra. Foi alvoroçar a mãe que disse que já sabia.
Desconfiou. Foi quando soube que a mãe era outra e também tinha um homem fora de
casa. Não ligaram uma coisa com outra, quando passou a usar drogas pesadas. Afinal,
que vida era aquela? Usando uma química artificial para fingir que era feliz, pelo menos
talvez tivesse também uma outra vida no pântano dos seixos íntimos.

Nave

A Nave pousou em São Paulo. Sondaram: favelas, menores na prostituição,
banco com lucros impunes, corrupção estatal endêmica, privado estado pseudo-público,
poluição, fome, sub-empregos. E um corrupto político do modus operandi “rouba, mas
diz que faz...” A Nave avaliou: tradicionais famílias hipócritas, riquezas injustas,
empresariado bandido, liberalismo câncer social, lucros impunes. E podre status-quo.
Isso mais as máscaras, as varizes, as posses e os totens amorais. Não valia a pena fazer
eventual contato. Não havia vida inteligente na terra. Voltaram ao Terceiro Sol do
hangar-mãe avisar que uma gama de evacuações não se fazia necessário. Outras
galáxias no cosmos deveria ter vida mais ética plural comunitária.

Crime

Quando entrou pro Partido Liberal foi que descobriu que o crime
compensava e dava imunidade parlamentar. E não havia riscos como nos assaltos a
bancos e nas montadas glosas ao Fisco. E ainda podia retornar sempre ao local do
crime, pois teria carteirinha do Juízo Eleitoral, o que lhe daria a guarida até da
imunidade diplomática.

Polenta

Fazia uma polenta como ninguém no mundo. Parentes, vizinhos,
amigos, todos brigavam por um pedaço daquela guloseima benta. Pensou em abrir um
fast food com polenta e frango, polenta e ovo de codorna, polenta e leite condensado,
polenta e mel-silvestre. Mas não deu certo o investimento e continuou caseiro e
artesanal. Ninguém sabia o segredo desse confeitar perene, sequer que ela tinha lepra e
as casquinhas das feridas ajudavam no delicioso e inigualável molho secreto.

Lico

Era um piá polaco com sardas e cabelo de milho que amava Os Beatles &
Tonico e Tinoco. Sonhava em crescer, trabalhar na NASA, escrever um livro, plantar
uma árvore, ter dúzias de curumins herdeiros-continução. Morreu de overdose num
baile de Carnaval, depois de rascunhar o prefácio de um livro de microcontos
surrealistas que pretendia escrever um dia quando se formasse em Ciências Sociais,
plantasse um filho, gerasse um livro, escrevesse uma árvore.

Volta

Com 33 anos, a idade de Cristo, resolveu mudar de sexo, descrente que
se restava com a herança genética-genital de varão molóide. Vendeu todos os bens e foi
para o exterior fazer a coisa certa. Voltou quase dez anos depois. É que a operação lhe
tirou toda a grana arrecadada, e, depois de fêmea artificial teve que se virar para
levantar fundos e poder então voltar pobre e com Aids à saudosa Pátria Amada.

Barriga

Cada vez que tomava água no Chafariz do Bairro Velho na Estância
Boêmia de Itararé, sentia borbulhos perto da barriga aos solavancos, com a sede não
passando e a inanição estranha piorando. Quando comia era pior ainda. Inchava.
Começou a engordar e alguns topetudos alegaram que ele, o Peu Cambalhota, estava era
grávido. Levado ao hospital foi que veio à tona o inusitado. Tinha criado um girino na
barriga que depois virou sapo-martelo com úlcera sonora.

(FIM)

Silas Correa Leite

Wednesday, October 28, 2009

Hino ao Itarareeense

Hino ao Itarareense



Composição:


Letra Silas Correa Leite, Música Vanderlei Garcia do Nascimebnto


(Hino Oficial)
1
Se a batalha te chama na história
Voltarás com verve e augusto
Pra ser forte no amor e na glória
Defender Itararé a todo custo
Levas sempre no peito o encanto
De uma Terra de infinita Sé
Dessa aldeia que adoras tanto
Santuário chamado Itararé
(Refrão)
Se a honra de Ser te pertence (
Deste chão és ternura e fé (
Pra viver sempre Itarareense (
E morrer por Itararé! (bis)
2
Sentinela que guarda a fronteira
Um celeiro de pinha e maná
Da legalidade és trincheira
Às barrancas do Paraná
Se te fundas Boêmio que vence
Desde os bosques, planícies até
Te engalanas tão Itarareense
Feito nau ao luar de Itararé
3
Se o Brasil ergue a clava forte
Pra ornar a Carta-Constituição
Lutarás com ardor até a morte
Para valorizar teu rincão
Esse Itarareense-Andorinha
Encantada, do rio verde ao tembé
Sobre a Coronel Jordão se aninha
Chão de Estrelas de Itararé
-0-
Poetinha Silas Correa Leite, do Clã “Fanáticos Por Itararé”
E-mail: poesilas@terra.com.br –
Ver Blogue: www.artistasdeitarare.zip.net

Estância Boêmia de Itararé, histórica Cidade-Poema, Bonita Pela Própria Natureza, Chão de Estrelas, de Artistas de Talento como:
Aristeu Adão Duarte (Professor, Acadêmico, Cantor Premiado (Mapa Cultural Paulista) Armando Merege (Pintor) Carlos Casagrande (Ator da Rede Globo), Dorothy Janson Moretti (Poeta Premiada), Ed Primo (Pintor que foi destaque na Revista Veja-SP), Edson Marques (Escritor, Prêmio Miguel de Cervantes, Espanha, foi ao Provocações (TV Cultura) do Antonio Abujamra), Gerson Damasceno Gorsky (Doutorado em Música no Exterior), Gustavo Janson (Fotógrafo), Ismael Vaz Cordeiro (Humorista, Palhaço, Radialista), Jannis Vidal (Pintor, Historiador autodidata), Jorge Chuéri (Artista Plástico Premiado, inclusive no exterior e no Banco Real/Talentos da Maioridade), José Maria Silva (Contador de Causos Premiado no Elos Clube/Comunidade Lusíada Internacional, foi ao Programa do Jô Soares/Rede Globo), Lázara Aparecida Fogaça Bandoni (Escritora e Historiadora Premiada), Luiz Antonio Solda (Humorista, Cartunista, Publicitário e Poeta, vários Prêmios), Maestro Gaya (Músico e Arranjador Premiado/Festivais da Record. Descobriu, burilou e produziu (entre outros) Chico Buarque de Hollanda), Maria Aparecida Coquemala (Acadêmica e Escritora Premida, inclusive na Itália), Marina Solda (Pintora), Paulo Rolim (Escritor, Cientista, Ufólogo, Visionário Mediúnico), Paulino Rolim de Moura, Jornalista, Primeiro Ecologista do Brasil, sofreu vários processos, Regina Tatit (Cantora), Rogéria Holtz (Cantora e Compositora), Sebastião Pereira Costa (Escritor), Sérgio Carriel de Lara, Ator, Teatrólogo e Diretor Premiado de Teatro (Mapa Cultural Paulista), Silas Correa Leite (Poeta, Ficcionista e ensaísta, Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor; Premiado no Mapa Cultural Paulista (representando Itararé) e também em Portugal, Prêmio Simetria Microcontos/Ficções Fantásticas, acadêmico (FAPESP-USP) foi entrevistado no Programa Momento Cultural, Márcia Peltier, Rede Bandeirantes, e no Programa Metrópolis, TV Cultura, colabora em mais de duzentos sites, Terezinha Iluminada de Mello (Escritora Premiada, Historiadora Premiada), Zunir Pereira de Andrade Filho, Escritor, Pintor.
Frases Sobre Itararé:
-Itararé, Nosso Amor Já Tem cem Anos (Zunir)
-Morro pelo Brasil, Mato por Itararé (Solda)
-Ita(ar)(ar)é (Poetinha Silas)
-Prefiro ficar preso em Itararé do que solto em Itapeva (Boêmio Nelson Corvo)
-Itararé, se colocar grade verde é cadeia, se colocar lona azul é circo, se colocar cortininha cor de carne é zona (Biriteiro e Dono do Bar Fecha-Nunca, Miro Vaca)

(OBS: Ajude a divulgar Itararé. Se você souber de algum outro louco criador ou artista de Itararé de talento, contate a promotora do Blogue “Artistas de Itararé” pelo e-mail: artistasdeitarare@bol.com.br)

Sempre Haverá Itararé

Saturday, September 19, 2009

Friday, September 11, 2009

O HOMEM QUE VIROU CERVEJA - Livro Premiado de Crônicas de Silas Correa Leite




Press-Release

Silas CORREA LEITE Poeta de Itararé-SP lança livro na Bienal do Rio

“O homem que Virou Cerveja” é o novo sucesso do poeta de Itararé.

Primeiro lugar no “Concurso Valdeck Almeida de Jesus”, o livro de Silas é um mosaico de doze crônicas em que o poeta brinda o leitor com humor inteligente levado a sério - e, muitas vezes, extraído da dor, tal como leite extraído das pedras. A riqueza semântica e a propriedade de retratar cenas do cotidiano com a ‘profunda leveza’ das palavras precisas é a arte de Silas, cuja capacidade de roubar um riso, tocar a emoção ou despertar a consciência crítica do leitor está mais do que provada.

Silas Correa Leite, natural da Estância Boêmia de Itararé-SP, colabora com quase 500 sites brasileiros e do exterior, veiculando seus diferenciados textos críticos, de humor, boêmios, além de ensaios, crônicas e mesmo contos, poemas e artigos humanistas.

“O homem que virou cerveja” é o resultado de um concurso em que brasileiros e estrangeiros fizeram resenhas do livro “Memorial do Inferno – A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, de Valdeck Almeida de Jesus. O prêmio oferecido ao autor da melhor resenha seria, obviamente, o direito à edição e publicação de um livro.

SERVIÇO
O quê: Lançamento de “O homem que Virou Cerveja”
Onde: XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro
Estande da Giz Editorial – Entre as ruas “C” e “D”, Pavilhão Laranja
Quando: dia 19 de setembro de 2009, às 16 horas

Contato com a Imprensa:

Valdeck Almeida de Jesus
valdeck2007@gmail.com

Contato com a Editora:
Simone Mateus
giz@gizeditorial.com.br
(11) 3333-3059


Dados Completos da Obra:


Título: O Homem Que Virou Cerveja
Autor: Silas Correa Leite
Editora: Giz Editorial
Número de páginas: 95
ISBN: 978-85-7855-037-0
Editora: Giz Editorial
Assunto: Crônicas
Número da edição: 1º edição
Formato: 14 x 21
Preço: R$ 30,00

Tuesday, September 08, 2009

Belíssimo Romance de Urda Alice Klueger, CRUZEIRO DO SUL





Pequena Resenha Crítica


Romance “Cruzeiro do Sul” de Urda Alice Klueger:
A Saga Historial de Imigrantes da Metrópole e de Ameríndios na Formação do Brasil Sulista


“Para os navegantes com desejo de vento
A memória é um ponto de partida”

Eduardo Galeano



Quando você toma para o entretenimento ler, de um romance historial de 400 páginas, como o belo livro CRUZEIRO DO SUL da sul-catarinense Urda Alice Klueger, você fica desde logo atiçado para a contenteza do deleite de um prazer de leitura a partir de uma obra literalmente de peso. Em se tratando de Urda Alice Klueger então, como o handicap todo dela, fina flor da chamada literatura brasileira contemporânea, você logo afina o seu voraz lado ledor com a harmonia salutar da preciosíssima escrita de gabarito dela. Especialista em história, Urda Alice é ainda mais, já autora de quatorze obras de alto nível.

O belo romance Cruzeiro do Sul, Editora Hemisfério Sul Ltda, dá um gostoso sentimento de leitura com prazer, entrecortado com alguma ideia aqui e ali de volta às raízes, de volta as origens, quaisquer que sejam elas, num mesmo encantamento, e eu, não por acaso, um pé vermelho do sul criado em Santa Itararé das Artes, vesti-me de arrebatamentos, e de alguma maneira senti-me em casa. E vieram-me a mente as apreendências dos primeiros livros que li, todos de Érico Veríssimo também contando dos pagos sulinos, de igual feitio encantador.

George H. Lewis diz que “ assim como os pássaros tem asas, o homem tem língua”. Olha a história oral e o lado memorialista atiçado. Caetano cantou da mátria língua pátria. Lendo o romance Cruzeiro do Sul, você envereda pelos capítulos todos (e pode lê-los ao acaso, de que forma quiser), e quando vê está se derretendo todo pela gostosura do bem contar, do bem narrar, uma precisa contação que seduz, alicerçando continuações e paisagem que assomam à mente com desenvoltura. Escrever é tocar corações e mentes?

A fundação cultural sulista ali está inteira, plena, embonitada, paginando fatos, invencionices. Dos imigrantes da corte portuguesa em terras brasilis (ah esses brasis gerais); dos chamados silvícolas e ainda um lado antropológico no letral personalizando mestiços, mamelucos, autoridades religiosas, desde os campos gerais, da Vila de São Paulo aos pinheirais de Curitiba, entrando em terras náuticas de Santa Catarina, e assim na leitura vamo-nos, tomados pelo prazer de, bebendo as andanças e paisagens, vilas, acontecências felizes ou trágicas, cada uma das partes como o inédito destino dando sentenças ou salvando sonhos de povoamentos e colonização, entre descobertas e vivificações sociais.

“A gente se esforça com paixão, durante anos, para imitar o que é, e mal chega a dar a entender a olhos experimentados o que tentou fazer”, disse Guy de Maupassant. Pois essa máxima não vale para Urda Alice. Você bebe do mundo ficcional dela, e vê ali a historiadora séria embonitando laços de ternura; vê a pesquisadora datando o confeito do historial todo com maestria, o que na obra Cruzeiro do Sul mais se afirma em Montaigne: “Só um leitor inteligente é capaz de descobrir nos escritos alheios coisas outras e lhes emprestar sentidos e aspectos mais ricos”. É isso: Urda Alice está mais para Proust e isso é um elogio e tanto que ela faz por merecer-se.

O sofrimento que vem de Deus (diz um personagem do livro). O sofrimento que vem do homem (explorando seu semelhante), o que Urda Alice tipifica muito bem no que abre ao contar, confirmando a antológica frase poética de Carlos Drummond de Andrade que diz que “toda história é remorso”.

Urda Alice não julga, apenas conta as versões, os enfoques, nomeia tim-tim por tim-tim, sempre tendo como pano de fundo a fundação desse verdadeiro sul-brasilis de tantas diásporas, de tanto fugitivos de guerras, de tantos aventureiros, piratas, e, sim, exploradores de toda sorte, inclusive da fé e da confiança alheia. Tempos em que a água bebia a onça.

Urda Alice Klueger escreve de um jeito que parece que tudo aquilo é conosco, como se, sim, ela fosse mesmo parte da familia (familia Brasil), como se estivéssemos ao redor de uma fogueira assando pinhões, ao redor de um fogão de vermelhão com tubérculos, mates e panelas com picumãs do tempo agarrado nelas, lampiões acesos nas cabeças, religando conversas fiadas, causos pra boi dormir, mais o encantamento de muito bem saber entreter com memórias passadas a limpo, entre o imaginado e o sentido, o pesquisado e o vivido, sempre a cândida criatividade dando pano pra manga, quero dizer, dando uma bela obra.

Meninos portugueses da gema aqui aprendendo a serem guris, piás, curumins. Os exóticos estrangeiros entre os colonizadores tendo que sobreviver a todo custo entre pagãos de algum modo; o configuramento de viagens, empreitas e travessias em terras virgens sendo desbravadas por colonos sofridos em pé de guerra com a sobrevivência emergencial possível e necessária, de ocasião, e ainda curiosos, aventureiros entre tantos outros personagens que vão e vem, chegam e mudam, alteram o espaço, partem, correr atrás de prejuízos, ah dura sobrevivência, os personagens todos saltam aos olhos, verossímeis, sedutores, verdadeiros, reais. Cativantes. Muito prazer de ler. Bonitezas.

Construções detalhadas. Roupas, pessoas, lugares, situações. Pinceladas de ocorrências que se sucedem e costuram o novelo de situações, entrelaçando, registrando os campos, como retratos de uma época que já se perdeu na névoa do longe, as agruras, os índios, as criações, as ilusões, prosopopéias, uma obra que é um verdadeiro achado, um suntuoso celeiro de matizes a comporem o corpo ficcional todo, entre linguagens bem colocadas, colheitas com detalhes, sentimentos aflorados, rudezas sobrevivenciais, e, ainda, tudo bem sortido no letral com garbo.

A personagem Isabel cativante. A história de Marixem como um achado. A igreja, os adensamentos, os povoados, lavouras, tudo contado como conhecimento que marca, toca, fica com a gente, fica bulindo com a imaginação de quem é de alguma sentido atrelado à escrita-leitura.

Livro bom é assim. Há trechos de verdadeira prosa poética com você se sentindo dentro de você, feito um quintal, um bosque, um lugar uma familia, uma amizade, um reaparelhamento interior de revisitança em encantamento.

“Getulio era mais imaginoso, mais sonhador, e era ele quem inventava a maioria das brincadeiras novas. Eles eram crianças simples, sem livros de história, sem gravuras bonitas, sem brinquedos coloridos, mas se viravam. Áurea trazia de casa uma algaravia de historias que iam desde a magia dos duendes e das fadas alemãs até as cruéis histórias da Moura Torta, aquela personagem emigrada de Portugal para o litoral de Santa Catarina já fazia tempo e que continuava forte e viva na tradição oral(...)” Pg. 371

Cruzeiro do Sul é um romance grande também em qualidade. Daria um belo filme, minissérie ou até uma baita novela, Viegas Fernandes da Costa, Escritor e Historiador na orelha da obra afirma o que eu assino embaixo: “Obra de maturidade da autora (Cruzeiro do Sul), narra a saga de um povo construído na diversidade étnica e na luta com as adversidades(...). Com profundo lirismo e humanismo, Urda nos tece o mural de um povo plural(...) mas também nos faz acreditar na força do ser humano quando carrega em si o sonho da vida(...)”.

Ernest Hemingway dizia que o mundo quebrava as pessoas, mas elas ficavam mais fortes nos lugares onde elas foram quebradas. Deve ser por isso que o sul do Brasil, desbravado e erguido galhardia por imigrantes e filhos destes, é a região mais desenvolvida sócio-culturalmente do Brasil.

O romance Cruzeiro do Sul tem esse registro pari-passu das andanças de povos de outras terras, começando depois de 1500 e terminando bem depois de 1985. Com um final (que pode ser continuação de) que é triste, amargo, mas que também é fim de algum tempo para recomeço de uma outra nova época ou geração, tempo de mudanças, talvez uma outra contação futural, que a labuta continua e nem sempre há final feliz na vida daqueles que se aventuram por outras plagas, com o espírito lusonauta de conhecer, construir, deixar o sal da lágrima de Portugal em berços explêndidos de muitas madeiras, minérios, águas, sementes e açúcares.

Os sofrimentos que fizeram o Brasil, o sofrimento que fazem hoje, muito além do sul do Brasil com os excluídos sociais, os sem teto, sem terra, sem amor, os minhocos; filhos da terra sonhando uma Pasárgada, uma Onira, um Eldorado que parece estar mesmo dentro de cada um de nós, como uma história de sedução e conquista.

O maravilhoso mundo mágico da escrita de Urda Alice, dando uma idéia de como pode ter sido a colonização do Brasil florão da américa católica, com sua colonização de exploração, com sua mistura de ranças, crenças, mas mantendo a língua-mestra com a qual Urda Alice Klueger criou um clássico.

-0-

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, São Paulo, Brasil
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos - E-mail: poesilas@erra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Autor entre outros de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009, Giz Editorial, no prelo

BOX:

CRUZEIRO DO SUL, Romance
Urda Alice Klueger – urda@flynet.com.br
Editora Hemisfério Sul, Santa Catarina

Friday, September 04, 2009

"Cure o Mundo" Michael Jackson




MICHAEL JACKSON:CURE O MUNDO

Heal The World (Cure o Mundo)
Michael Jackson
Composição: Michael Jackson


"Pense nas gerações e elas dizem: Nós queremos fazer deste um lugar
melhor para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos. Para que
eles saibam que este é um mundo melhor para eles; e pensem que
podem fazer deste um lugar melhor."

Há um lugar em seu coração
E eu sei que ele é o amor
E nesse lugar pode ser
O mais brilhante amanhã
E se você realmente tentar
Você irá descobrir que não precisa chorar
Nesse lugar você irá sentir que não há mágoa ou tristeza

Há caminhos para chegar lá
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Se você quer saber por que
Existe um amor que não pode mentir
O amor é forte
E só cuida das dádivas alegres
Se nós tentarmos, nós veremos
Nesta felicidade nós não sentimos
Medo ou receio
Paramos o existir e começamos a viver

Então sentimos que sempre
Bastante amor nos faz crescer
Então faça um mundo melhor
Faça um mundo melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

E o sonho que nós concebemos
Revelará um rosto alegre
E o mundo que uma vez nós acreditamos
Irá brilhar de novo em graça
Então por que nós sufocamos a vida ?
Ferimos esta Terra, crucificamos sua alma
Mas é claro ver...
Que este mundo é divino
É a luz de Deus

Nós podemos voar tão alto
Nunca deixar nossas almas morrerem
Em meu coração eu sinto vocês todos meus irmãos
Crie um mundo sem medos
Juntos nós choraremos lágrimas de alegria
Veja as nações transformarem suas espadas em arados

Nós poderíamos realmente conseguir
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor para você e para mim

Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor para você e para mim

Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(faça um lugar melhor)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)
Para você e para mim
(cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim
(guarde-o para nossas crianças)

Saturday, August 29, 2009

Silas Correa Leite Entrevistado no Programa Imprensa em Debate


Escritor Premiado é Entrevistado no Programa “Imprensa Em Debate”



Alguns dias após ser entrevistado pelo Antonio Abujamra, no Programa Provocações, da TV Cultura de São Paulo, cuja edição irá ao ar no próximo dia 11 de setembro às 22 horas, o escritor premiado em verso e prosa, Silas Correa Leite, jornalista comunitário, teórico da educação e conselheiro em Direitos Humanos (com especialização em Literatura e Arte na Comunicação pela USP), tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web” – publicado atualmente em quase 500 sites - foi agora entrevistado dia 28 de agosto passado, pelo Programa Imprensa em Debate, Canal Universitário de São Paulo. A gravação ocorreu nos estúdios do Curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, na Mooca, zona leste de capital paulista, cuja temática foi Jornalismo Cultural. O programa do escritor de Itararé-SP ainda não tem data para ir ao ar. Silas, que já tinha sido entrevistado pela Márcia Peltier, no Jornal da Noite, Rede Bandeirantes de Televisão, pelo Metrópolis da TV Cultura de São Paulo, e pelo Programa Na Berlinda, Rede 21, tv a cabo, mais uma vez é chamado para opinar, falar de seu trabalho lítero-cultural, que ganha rumo, vulto e nome na chamada literatura brasileira contemporânea, principalmente depois do sucesso de seu livro de Contos CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, e do e-book de sucesso, O RINOCERONTE DE CLARICE, que recentemente foi tese de doutorado pela UFAL, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores.

(Da Redação)
Delmiro T. Latz - boalmanews
Delmirot@bol.com.br

SPC de Itararé Entrevistado no Ita-NEWS de Itapeva-SP




Sebastião Pereira Costa, de Itararé-SP, Entrevistado no jornal Ita News de Itapeva-SP.


IN - Qual balanço o senhor faz desses 50 anos como escriba?
SPC- Difícil avaliar o próprio trabalho sem cair no lugar comum de achar que se fez tudo o que foi possível, mas que gostaria de ter feito muito mais. Contudo, pelo carinho e o apoio que desde muitos anos recebo de meus leitores, do mais letrado àquele mais humilde, me leva a crer que meu trabalho foi correto, honesto, que valeu a pena.

IN - O senhor se recorda de seu primeiro texto?
SPC – Sim, publiquei meu primeiro texto em agosto de 1959, no Jornal de Itapeva, do saudoso Tito Lívio Cerione, cujo título é bastante atual: Urge Moralizar. Escrevi a lápis e levei para o saudoso amigo Mouracy do Prado Moura datilografar na sua Olivetti. Na época o Mourinha tinha escritório de contabilidade na Praça Anchieta, onde hoje é uma loja de eletrodomésticos. Após esse artigo que repercutiu nos meios políticos da época, continuei a escrever até 1964. Aí, devido ao golpe civil-militar de 64 tive de ir embora de Itapeva com minha família, pressionado por notórios aliados dos golpistas. Fui preso, minha esposa Dorothy também. O meu crime era participar do grupo que pertencia ao PCB e apoiar o Governo Goulart, que apregoava as reformas de base no País.

IN - O que significa para o senhor fazer 50 anos de profissão?
SPC – O jornalismo pra mim nunca foi profissão, nunca ganhei, nem cobrei nada, por meus escritos jornalísticos, sempre ganhei o leite das crianças trabalhando como pequeno empresário. Escrevia à noite, após o expediente. Mesmo assim, o exercício jornalístico marcou muito minha vida, me deu muitas alegrias, mesmo com o contraponto de muitas decepções, sustos, processos judiciais, inimizades, incompreensões, caras feias. Como até hoje.

IN - Qual a sua maior alegria nesses anos todos?
SPC – Como jornalista foram muitas pequenas alegrias, por exemplo, lá pelos idos dos anos 60, se o diretor do jornal não gostasse do teor da matéria, por avaliação própria ou por sugestão de algum abelhudo, ele simplesmente não publicava e não aceitava reclamação do autor. Então era uma alegria danada ver no fim de semana a matéria estampada no jornal, dava cócegas de tão gostoso. Mas a maior alegria mesmo no quesito escrever foi quando recebi correspondência da gerência da Editora Record, Rio, informando que meu livro Não Verás Nenhum País Como Este, tinha sido aceito para publicação. Afinal, era a maior editora do país publicando um livro de 400 páginas de um capiau de Santa Cruz/Itararé, ex-peão da Fazenda Ibiti, cuja formação não passou do primeiro grau no Grupo Escolar Tomé Teixeira. Ainda com prefácio do professor e então senador Fernando Henrique Cardoso, uma das maiores alegrias de minha vida.

IN - E a sua maior tristeza?
SPC – A maior tristeza como escriba é não ser levado a sério quando faço denúncias de homens públicos, eleitos pela vontade e a boa-fé de milhares de eleitores, levados a errar pela falta de informação num país em que a educação nunca foi prioridade, em que os professores são os mais mal pagos dentre as profissões acadêmicas. Ver os homens públicos preocupados apenas em ganhar dinheiro, fazer a vida nos cargos, sem dó nem piedade de uma população paupérrima que no embalo da emoção vota neles. É triste.

IN - O que mais marcou o senhor nesses 50 anos?
SPC - Difícil dizer o que mais me marcou neste meio século, foram tantas emoções...mas como jornalista bissexto o que mais marcou, que me lembro, foram dois eventos recentes: o primeiro, a decepção que senti ao ser expulso, friamente, do jornal Folha do Sul no qual colaborava desde que o seu atual proprietário tinha três anos de idade, e por motivos fúteis. Isso reforçou em mim a concepção de que é difícil existir amizade sem interesse material; o segundo, após ser expulso da Folha, ser convidado no dia seguinte pelo diretor-proprietário do bravo semanário Ita News, Kiko Carli, para integrar sua equipe jornalística, onde fui recebido com festa, platéia de funcionários e convidados, comes-e-bebes, discursos e aplausos. Foi muito marcante.

IN - Qual o segredo para escrever durante todo esse tempo sem cair no esquecimento e ter uma plateia que aguarda toda semana para ler seus textos?
SPC – Essa pergunta é a mais difícil, porque nunca soube o que se passa no coração de meus leitores, alguns há décadas acompanham meu trabalho, inclusive, recortam e guardam. Maravilhoso. Talvez o segredo esteja em escrever com o coração sem a preocupação de ser simpático ou de agradar alguém. Não vacilar em denunciar quando ninguém teve coragem de fazê-lo, não se corromper, enfim, ser fiel aos leitores e honesto consigo próprio, revelando a verdade doa a quem doer. Acho que é isso.

IN - Como definiria o SPC escritor?
SPC - Definiria como fracassado, pelo menos por enquanto, pois ainda não consegui publicar meu romance que estava engavetado até dias atrás e que agora está em avaliação numa editora, vamos ver se ela aceita a edição. Há muitos anos convivo com a pretensão de publicar meus contos e romances. Não me interessa ter de pagar a edição do livro para depois vender (ou dar) os exemplares para os amigos (a maioria compra ou ganha constrangida). Não tenho nada contra isso, mas não acho justo, livro é um pitéu que deve ser saboreado com prazer, não para encher egos ou ostentar vaidades.

IN- O senhor tem alguma saudade?
SPC – Muitas saudades, centenas, sou saudosista assumido, curto reminiscências até o último fio de cabelo. E nessas lembranças estão a minha inspiração literária, recheada de autobiografia. Tenho saudade de quando quase fui contratado pela Rádio PRB-2 de Curitiba, em 1954. Aí, vim pra Itapeva a passeio, e fiquei. Então, cantei na Rádio Clube daqui e parei ao casar. Tenho saudade da fazenda Ibiti onde trabalhei aos 12 anos, tendo como serviço buscar a tropa na invernada, cedinho, às vezes sob intensa cerração; tirar leite de três vacas suíças à tarde, além de cuidar de 42 cachorros do então ministro da Fazenda de Getúlio, doutor Correa e Castro, entre os quais perdigueiros adestrados para caçar perdizes, que abundavam por aqueles vastos campos de barbatimão e pés de cabeças-de-negro; tenho saudades de...chega, é bom parar por aqui.

IN - O que significa para o senhor poder se expressar?
SPC – Poder me expressar significa viver intensamente, botar pra fora os grilos que atormentam aqueles que não sabem como os expulsar da mente, significa compromisso com a sociedade em contribuir para que a vida das pessoas seja melhor, significa não ficar calado diante da injustiça social, da malandragem política, significa ter coragem de externar indignação com as coisas erradas e tentar corrigi-las mesmo ao preço de ser antipático, enfim, poder se expressar é o maior dom natural do homem. Agradeço a equipe do Ita News esta homenagem pelo meu modesto jubileu jornalístico.

Thursday, August 20, 2009

Razões Loucas Para Ser de Itararé-SP

Ser da Estância Boêmia de Itararé, é!
33 Motivos Para ser Fanático por Itararé



01)-Achar Itararé a mais bela aldeia do mundo, mesmo eventualmente não conhecendo direito o mundo, até porque, se Jesus Cristo tivesse nascido em Itararé, os três Reis Magos seriam o Jorge Chuéri, o Gustavo Jansson e o Walter Santana Menk

02)-Ser um “fanático por Itararé” e adorar a Cidade-Poema acima e abaixo de todas as coisas reais e imaginárias, até porque, Itararé é a nossa Shangri-lá, nossa Pasárgada, nossa Jerusalém celeste aqui mesmo

03)-Ser boêmio, bom de prosa afiada, contador de palha, pescador e até, aqui e ali, inventor do inexistente, até porque Itarareense não mente, inventa verdades que ainda não aconteceram de acontecer

04)-Preferir ficar preso em Itararé do que livre e solto em qualquer outro lugar do Planeta Água, até porque, longe é um lugar que não existe, e assim mesmo lá não tem tubaína de limão-cravo do Vilela

05)-Adorar biritar entre amigos, principalmente falando mal da vida alheia e sondando mulher pedaçuda com seios de manga-sapatinho, mãos de pianista, pés de bailarina, olhos de jade e pensão alimentícia de três maroteiros beiçudos e com amarelão

06)-Torcer pro Clube Atlético Fronteira, o mais “glorioso, majestoso, poderoso” clube sócio-futebolístico da city.
07)-Ter algum dom natural, algum talento, pintar, escrever, jogar truco ou mesmo contar mentiras por atacado, até porque quem bebe a água da gruta da barreira sempre volta, o que não volta é a água que é urinada fora

08)-Ser de esquerda, sempre. Fazer oposição por graceza, contenteza. Se há governo, é contra, esquerdista por legítima defesa da honra, da ética e em busca de um humanismo de resultados

09)-Adora gandaias, forfés, micaretas, carnavais, quermesses, serenatas e, principalmente bordel e pescaria, principalmente se não levar marmita, isto é, se a patroa não for junto

10)-Sacar antes o lance, saber bem de tudo quanto é assunto, mostrar dialética e ser loquaz entre amigos e morféticos curiosos, e nunca andar com canhão, quero dizer, mulher feia, a não ser que esteja muito “bêudo” ou picego

11)-Defender Itararé a todo custo, haja o que houver, doa a quem doer, afinal, morrendo todo Itarareense será parte da terra Itararé, e, assim, é melhor cuidar bem da terrinha-nós-mesmos a partir do que seremos um dia no devir

12)-Itarareense é “Andorinha sem Breque”, dá nó em pingo de chuva, desvia de cobra-fantasma, e assovia bem, até porque, como dizia o saudoso Barbosinha tocando Luar de Itararé...música é vento

13)-Detesta amigos do alheio, desde corruptos e ladrões, não aceita gente de duas caras e mete a boca em tipo janota e boçal, muito menos gosta de ser palhaço de outro palhaço se olhando no espelho

14)-Conta palha de que Itararé foi feita no sexto dia de criação, por isso Deus teve que descansar no Sábado lá no Bar do Tepa, já que tinha caprichado e cansou-se, depois foi pro forfé e pegou gosto.

15)-Itarareense bebe porque é líquido. Se fosse sólido comeria. E bebe sim, vermes não comem pudins de cachaça

16)-Todo Itarareense é anarquista teórico, marxista técnico, boêmio pela própria natureza, fanático por Itararé e social-democrata com visão ético-plural-comunitária

17)-Todo Itarareense é pão duro ao extremo, cria escorpiões no bolso para não ter que atacar as algibeiras em caso de precisão de vida, morte ou desfrute de eventual biscataria self service

18)-Itarareense não morre. Vira purpurina. Não nasce, estréia na Terra.Não é aparecido, é criativo, e sabe fazer bonito, no amor e na dor. Mas vai em velório e gosta de aparecer mais do que o próprio finado

19)-Itarareense que não presta nasce morto. Ou vai nascer noutra freguesia do Paraná, logo depois da divisa do rio Itararé, lados de Sete Quedas, aliás, Oito quedas, se empurrar a sogra que não é boa bisca lá.

20)-Itarareense adora fazer caridade com o dinheiro dos outros, assim como adora comprar fiado de caderneta e perder a caderneta. Sabe ser útil e solidário na hora hagá, e não acredita em artes que não sejam libertações.

21)-Itarareense sabe que, sexo seguro é quando ele segura no seu próprio usucapião pra pinchar cervejadas fora, aliás, se cerveja se pagasse pelo que se urina, só se pagava o rótulo

22)-Itarareeense-andorinha na dúvida em gastar ou poupar toma mesmo é suco da sabesp com petisco de língua de sapo chulé

23)-O buraco da barreira é mais embaixo, andorinha grande é Taperá, quem não gosta de Itararé, boa bisca não é

24)-Itararé não tem enxerido em vizinha alheia, tem liberal esquizofrênico

25)-Itarareense não tem meio sexo. Os quase "moçoilas" vão todos estudar fora e querem diploma

26)-Itarareense não morre, estréia no céu, mas antes passa pelo Asilo Jesus Tá Chamando, depois entra no Morgue Vá Com Deus e, finalmente, deita a paquera no Cemitério Lágrimas do Céu

27)-Em Itararé, quem toma Coca Cola arrota pum, e sabe muito bem e com prazeirança que batatinha quando nasce vira fritas do Bar do Chico

28)-Todo artista Itarareense é aplaudido em pé na Praça Coronel Jordão, até porque, a bem da verdade, lá não tem banco pra todo mundo se sentar

29)-Em Itararé o vento sola saudades pegajenta do Maestro Gaya, do Fernando Milcores e das estrelas Irmãs Pagãs.

30)-O defeito do itarareense é ser pão duro, daqueles que dá tiau com o punho para não gastar vão de dedo, e nem tem muito jegue júnior na prole para não gastar zona de fricção

31)-Itararé tem Passarinho que anda de bicicleta e com chapéu de florzinha verde na gadelha, tem restaurante que fecha pra almoço e tem rio verde que não amadureceu ainda

32)-Itarareense quando viaja, leva foto de Itararé só pra matar saudades e tomar umas e outras em homenagem à sua santa terrinha. Aliás, o melhor lugar do mundo é aqui e agora, e todo Itarareense sabe muito bem que, “Esteve em Itararé e não lembrou de ninguém/Pois quem não está em Itararé está sem

33)-Itarareense pobre só come carne mesmo quando o feijão-rosinha tá bichado

-0-

Santa Itararé das Letras

Itarareense-andorinha, a dor e a delícia de ser o que é

Habemus República Etílico-Rural de Itararé - It(ar)(ar)é!

O Paulista de Itararé é mais paulista do que os outros paulistas

O céu azul é o mar de Itararé

Itararé, verás que um filho teu não foge a luta

Itararé, a história do Brasil passa por aqui

Morro pelo Brasil, mato por Itararé

Sou de Itararé, não desisto nunca

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Poetinha Silas Corrêa Leite
Sampa, Saudades de Itararé, do Jazz nasce a luz
E-mail: poesilas@terra.com.br

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Sunday, August 16, 2009

A Poesia Ardente Sobre a Vida de Edivaldo de Jesus Teixeira




Pequena Resenha Crítica


A Poesia “Ardente Sobre a Vida” de Edivaldo de Jesus Teixeira


“No poeta coexistem o intelectual e o primitivo

Ambos formam uma unidade inseparável... “


Poeta Ledo Ivo

(Ao ser recepcionado na Academia Brasileira de Letras)


-Todo poeta é uma espécie assim de “reinventor da existência” ao seu modo, ao seu jeito todo peculiar, nunca concordando, por um motivo ou outro, com ela, principalmente nesses nossos tempos insanos. Rimbaud dizia que “o poeta é o ladrão do fogo”. A palavra Poeta vem do grego “poietes”, o que significa criador, inventor, enquanto Platão a relacionava com o conceito de Poesia como música, de composição.



-As múltiplas formas dos poemas de Edivaldo de Jesus Teixeira são como se pequeninos fios desencapados entre a memória (com suas insurgências e zelos), a emoção – em suas capacitações e sofrências – sempre uma bendita reinvenção de seqüências e configurações em estrofes surpreendentes, como se alguma espécie letral de costuras de panos humanos em registros de impressões pouco humanas (mudanças impossíveis mas necessárias?). Aliás, Ledo Ivo dizia: “Tem necessidade de anjos, para ser Poeta”. Pois o poeta Edivaldo fica entre o recolhedor, o liquidificador (inclusive de idéias), o desmonte de certos signos, o envernizador de cenários (íntimos e exteriores), pondo a sua arrojada mão, a sua fala poética, o seu olhar contundente, a sua pungência lírica sempre com a faca asséptica da sensibilidade. Ah a espécie humana...



-Ainda há, sob o sol, o homem-deserto, o homem-agulha, o homem-caminho, o homem em recolhes com sua bateia de granizos em catações, o homem com seu tabuleiro de vertentes, conhecimentos de abandonos e inquietudes sociais. O Poeta Edivaldo de Jesus Teixeira não se enquadra, não se nomina por estilo, tempo, ocasião ou escola regral. É, todo ele, o fio crucial do “fazedor” de poemas ao extremo e exclusivamente ourives da palavra cortante na cirúrgica do seu poetar diferenciado.



-Jóias preciosas nos trigais de palavreiros. Frinchas de luzes nas paletas da criação desterrada. Além da superfície do olhar: “Ali à luz posta em crescente movimento/A sombra, esse elemento escuro/Eu incenso” (Pg 16). Estilhaços de luzes colorindo escombros sombrios? Além dos poemas, li/vi salmos, fulgores, alegorias, reinações. Desconsolos e considerações. Ensinamentos de algum jardim?. A extinção da noite? Talvez colheitas para tentar pincelar vazios existenciais nos descaminhos da civilização, com tantos focos oblíquos, enfoques desnorteados, prismas corrompidos... envolvimentos humanos...



-A luz – que ele busca, enquadra, tece, experimenta, desenvolve, semeia, feito um rio não líquido. Um lado meio Drummond enviesado, um jeito Gullar em estoque de revisitança, além da velocidade da carne. Então o poeta colore (com luz de suas pulsações) as más condutas dos seres. “A movediça noite e seus descaminhos”. (In, Canto, pg. 76). “Nada do que reitero/Cheira a princípio(...)”, pg 83, in, Dos Enigmas. A poesia de Edivaldo de Jesus Teixeira tem diferenciações estilísticas, como se por isso uma espécie de antologia de si mesmo, uma verdadeira parabólica de suas tantas tessituras literárias em versos contundentes.



-É como se uma alma, de alguma forma reprimida, escrevendo também se inclua ainda assim no rol dos sensíveis (sobreviventes assim), quando se refugiam como podem nos escritos que nos dão o preço da presença humana, da (falta de) consciência humana, na pelica das reinvenções literais como testemunhos de arte tristemente contemporânea, por isso mesmo eivada de horrores de toda sorte.



-A poesia de Edivaldo de Jesus Teixeira e o mistério que dele se apega aos fragmentos possíveis de vida; vida observada com rigor, retocada, recolhida e posta enlivrada de pequenas luzes captadas e somando-se a luzes de seus variados versos. Como necessidade vital do humano moderno – tempos tenebrosos – a poesia de Edivaldo de Jesus Teixeira tem essa espécie de ponto de fuga: colhe-se, recolhe(se), como um mimo do dar-se de si à essência do que restar da floração da vida pura em tantas das suas degradações todas.



-“Um olhar sobre esses mundos...” (Criação, pg 28)



-O autor trabalha a luz entrecortada do que vê/lê, pensa e sente entre a sombra e os reflexos luzentes; o céu (e o self), e a escuridão, procurando sobreviver assim, subsistir assim, ainda e sempre re-escrevendo a vida tornada possível. Jurista, já escritor de outros livros bem recebidos pela crítica, Edivaldo tem essa espátula criativa que impressiona, num criterioso crivo de toque que edifica arte, pondo a alma a limpo no que cria, muito alem do limbo do que vê; com a envergadura de seu talento confeitado no belo poetar, sendo uma espécie de pensador que lida com algumas incertezas, retratando incertezas, lidando com incertezas, muito além da própria ciência da incerteza.



O autor é contundente e nada previsível. Por isso incomoda um ledor procurando enigmas e estigmas. Como pontua os trabalhos, a grafia, as modulações, as mudanças de prisma; epigramático, enfim, quase incodificável... Talento e viço desse jeito. Surpreende pelo surpreender... Perigoso e difícil "avaliar/analisar" ou coisa que o valha. Sensibilidade e olhar feroz, crítico, no sub e sobre fragmentos (farpas) do que verseja como artífice: “tensão para a exatidão” (como diria Paul Valéry).
É incomodador lê-lo e procurar fio de meada. Não há. Cada fio (linha) ou estrofe tem seu próprio tempo, eio, trilha e descarrego. Esculpindo destrinches? O crítico Carlos Ávila dizia: “Cada poema autêntico é como recomeçar do zero, é a exposição do poeta(...) O texto é uma prova de fogo diante da linguagem”. Helena Kolody dizia da poesia como loucura lúcida.



-O autor, também homem deserto sob o sol ainda é um homem que pensa o sol e o deserto.



-O Livro “O Homem Deserto Sob o Sol”, Poemas ardentes sobre a vida, tem vida e brilho próprio.



-Poemas como gritos fragmentados entre o aço e o cimento armado, entre as efemeridades da vida e suas cantagonias passageiras. Fazendo versos como quem chora... fazendo versos como quem sangra... ou, se redime, talvez, de algum jeito, na sua poética contemplação recortada. Essa boa mostra de alguma espécie de libertação da alma humana virou obra literária, livro de poemas.



De um homem ainda desperto sob o sol.



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Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

Autor de O Homem Que Virou Cerveja, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009, Giz Editorial (SP), no prelo.



BOX:

Livro O HOMEM DESERTO SOB O SOL, Poemas, Coleção Sentimento do Mundo

Autor Edivaldo de Jesus Teixeira – E-mail: edivaldo169@terra.com.br

Editora LetraSelvagem – E-mail: letraselvaem@uol.com.br

www.letraselvagem.com.br - Ano: 2008 – Prefácio Olga Savary

Friday, July 31, 2009

Itararé das Revoluções, Poema





Itararé das Revoluções


Revoluções históricas do Brasil passaram por Itararé, cidade de divisa
E quiseram destruir Itararé; nosso rincão amado, nossa terra-mãe
Mas Itararé não pode nunca ser destruída. Sempre haverá Itararé
Cada andorinha-Itarareense será essa nossa Itararé alada, esse pavilhão
Por onde for
Com sua bandeira na alma, o DNA no coração e seu esplendente amor

Itararé, Trincheiras da Legalidade, nossa pitoresca aldeia bucólica
Uma tribo espiritual de sementes escolhidas, boêmios, trovadores
Canhões bombardearam Itararé – onde estão esses canhões agora?
Itararé permanece como constelação, garra, muito viço em seu louvor
Por onde for
Casa Itarareense será a prova desta Itararé e de seu imenso valor

Cantamos, fazemos música, somos festeiros. Santa Itararé das Artes
Nossas lágrimas são nossos rios; nossas esperanças somam-se aos sonhos
Nas searas construímos; nas batalhas somos os que não fogem a luta
Por onde for
Cada Itarareense com sua alma-nau de Itararé será dela um portador

Longe de Itararé é um lugar que não existe: Itararé é nosso espírito
De celebração a vida, à arte, e ressurgirmos porque brilhamos, e Itararé
Está onde estivermos, e onde nos encontrarmos e falarmos deste amor
Encantador
Uma eterna Itararé estará em nós como um encantário de luz e fulgor!


Silas Correa Leite, Fanático Por Itararé
Poema da Série “Eram os Deuses Itarareenses?”
E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Giz Editorial, SP, no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009

Wednesday, May 27, 2009

Romance A Mulher, o Homem e o Cão, de Nicodemos Sena




Artigo/Resenha Crítica


ROMANCE “A MULHER, O HOMEM E O CÃO”,
UMA ‘NEVERLAND’ NA HILÉIA AMAZÔNICA

Por Silas Correa Leite*

“Com o que não te digo/
Teço um enigma/
O que digo sempre/
Nega o evidente(...)

Inconfesso, Antonio Mariano
In, Guarda-Chuvas Esquecidos
Editora Lamparina


Para falar do novo livro do escritor paraense radicado em Taubaté-SP, Nicodemos Sena, “A Mulher, o Homem e o Cão” (Ed. LetraSelvagem, 2009, Coleção Gente Pobre, 152 pág.) não teria como não me reportar ao sucesso que foi a portentosa obra “A Espera do Nunca Mais” (Ed. Cejup, 1999), um caudaloso romance elogiado pela crítica, “que faz meio-termo entre ficção e realidade (...); alto estilo, demonstrando vigor e consciência estética(...)”, segundo Ronaldo Cagiano (in Opção Cultural). A amazônica como um todo, resgatada e retratada, do rural-agreste e ermo aos ‘anos de chumbo’ da ditadura militar (o escritor é um retratista de seu tempo e das amarguras de seu tempo?), no letral, literal, e lítero-culturamente sob todos os aspectos. “Uma aula de Amazônia (...)”, diz Oscar D’Ambrosio (in Caderno de Sábado, Jornal da Tarde).
Coloco pra mim, entre os dez melhores romances brasileiros, não necessariamente numa ordem linear, “Dom Casmurro” ( Machado de Assis), “Grande Sertão: Veredas” (Guimarães Rosa), “Vidas Secas” (Graciliano Ramos), “Incidente em Antares” (Érico Veríssimo), “Crônica de Uma Casa Assassinada” (Lúcio Cardoso), “Macunaíma” (Mário de Andrade), “O Cortiço” (Aluisio de Azevedo), “Dona Flor e seus Dois Maridos” (Jorge Amado), “O Cais da Sagração” (Josué Montello), e, entre todos os do Autran Dourado (que é ótimo em tudo o que escreve), o recente romance “A Mulher, o Homem e o Cão”, de Nicodemos Sena, certamente o maior romancista brasileiro contemporâneo, pouco pop e naturalmente muito cult, diga-se de passagem.
Como gosto de ler um livro de fio a pavio (e nas entre/linhas), como se comesse uma iguaria pelas beiradas, defeito-qualidade de um glutão de letras e gastronomias de quilate, já sondei a orelha de um dos maiores críticos brasileiros de todos os tempos, o Oscar D´Ambrósio, que aponta Nicodemos Sena como um grande contador de histórias com mitos que se cruzam com o mundo fantástico do autor, acordando o gigante adormecido da capacidade de raciocinar enquanto ser humano (picadeiro de dilemas, enigmas e desafios do verbo existir). Vá vendo. Quero dizer, vá lendo. Deguste.
Depois, o prefácio da doutora Christina Ramalho (UFRJ), que nomina a obra como um “... caleidoscópio com tantos significados próprios, metamorfoses sobrenaturais plurissignificativas (...).” A floresta invadindo a obra do autor, que deixou a Amazônia, mas a Amazônia não o deixou, ou seja: vai com ele por onde ele for, sendo ele, é ele, selva-metáfora, o homem em busca de si mesmo, na selva urbana exaurida, dentro de si, no escre-Viver. Por aí.
No posfácio, Dirce Lorimier Fernandes (doutora em História e da APCA), fala do rico mundo encantado de criação, mistérios e encantamentos na obra de Nicodemos Sena. A inutilidade da existência (por isso escrevemos, criamos, deixamos nosso documento-identidade em sons, palavras, símbolos, crenças, devaneios, enigmas e artes loucas?). O autor rasga o véu da alma-mente-espírito, e numa treva branca destila-se, o tudo sentir, o sobre/Viver. Eis o homem.
Por fim – antes de entrarmos nos ramos qualificados da obra propriamente dita – uma surpresa: Um pós-posfácio do próprio autor (Acerca de “A Mulher, o Homem e o Cão”), falando de seu solilóquio, monólogo interior, desconfianças; encerrando assim: “... basta dizer que a selva, onde vivem as personagens (e onde eu nasci), é, no livro (...) apenas a metáfora de todas as solidões terrenas”. Lindo.
O romance-livro realmente é de linda floração cultural e envergadura literária (qualidade técnico-editorial de primeira, capa de James Valdana, desenho de capa e miolo Olga Savary); de se pegar e não largar mais. Cativador na elegante fruição, entre subidas e descidas aos céus (todos os céus, não se sabendo se o céu – qualquer um – veio até Nicodemos ou ele é que foi até ele). Elogiado pela crítica especializada, esse autor paraense tem um jeito todo próprio de narrar, ir e vir nas orações, levar e trazer o leitor, cativando, encantando, sacudindo-o. Grande estilo.
Aqui e ali, um personagem (personagem?) meio malazártico, numa narrativa bem macunaímica, sua narrativa às vezes nos remetendo à literatura fantástica (personagens bizarros até), de um anarquista misterioso, estilo utópico, B. Traven (Chicago 1890, México 1969), que teve na sua obra, como pano de fundo, a floresta mexicana (“O Visitante Noturno” entre outra criações de relevo), ficando um triângulo de Nicodemos Sena entre Macário de B. Traven, Macondo (de Gabriel Garcia Marques, do qual Nicodemos carrega aqui e ali parecenças) e o “espaço” floresta amazônica no livro, um não-lugar, um lugar-nenhum-todo-lugar/qualquer lugar, ele mesmo, o autor, Nicodemos Sena impregnado de talento, criatividade e técnica densa de narrar com veias e variações, as propriedades e impropriedades de suas origens, raízes, matrizes, mãe(s)-Terra/rio. O fado do destino humano sujeito a incongruências mesmo... Será o impossível?
Sim, a nova obra do autor, “A Mulher, o Homem e o Cão”, tem o sígnico da relação homem-terra, homem-rio, homem-celestidades, homem-demônios (e fantasmas) da terra, rio (e céus?); triângulo com o macho, a fêmea e o sobrenatural. Paradoxalmente ao que o próprio autor diz no livro (pág.25), é na escreveção que os homens sensíveis se refugiam da loucura. A loucura é santa? “Deus usa os loucos para confundir os sábios?”.
Coisas visíveis e invisíveis se metamorfoseiam nas narrativas cativantes, só que o leitor tem que estar bem enlivrado, por assim dizer, para ir, aqui e ali, sacando inteiro e completo, recebendo outro novo inédito enfoque concomitante ou adjunto (histórias na história), a árvore-janela, o cão-passarinho, o homem-peixe, o Deus que não é deus, o enlevo, a catarse, o onírico, colheitas de mitos retraduzidos e retrazidos. E o autor diz na contação da recontação literária em graça de prosa poética:
“É esse, senhor, o efeito do espanto: o espírito esforça-se por estabelecer uma relação, uma ligação de causa e efeito, mas, achando-se impotente para consegui-lo, sofre uma espécie de paralisia momentânea, e, tão logo se recupera do assombro, sente crescer dentro dele gradualmente uma convicção que clareia a mente e impulsiona o corpo (...). –Roubaram-nos a alma, agora tudo está encantado!”
A mulher-porca, as canoas de serpentes, o rio margem e beira (loucura-lucidez), tudo ciciando devaneios, registros, despojos letrais, acercamento. O rio de nossa infância, nossa origem, anda conosco, viaja conosco, sofre vazamentos, seca, aflui, tem sua derrama espiritual? O domador de mentes o que é? Ladrão de mulher, diria o mote popular parafraseado de um ente de circo.
Livro de peso que tem névoas clarificadas. Que dá gosto ler. Que se passa daqui prali, num sem-pulo, de um tópico frasal para outro, levando e trazendo o leitor boquiaberto, seduzido sim, onde a voz ora é de um (uma), ora de outro (outra... criaturas...). O autor costurando o xale de sua áurea-aura-halo. Incompletudes. Desabandonos. Desespelhos.
Na alegria e na tristeza, na fome e na dor... como um casamento do autor com o dom, a sua terra, o seus rios (lacrimais), agonias, angústias, causos do arco da velha vêm inventariados, inverdades, não mentiras, o próprio ofício de criação com iluminuras de espectros, ressentimentos, passados, transcendências, travessias, veios, cisternas, corredeiras, jorros; palco iluminado para dar voz e vazão a seres e não-seres, num imaginário pra lá de espetacularmente rico, portentoso.
Aqui e ali, paráfrases bíblicas bem situadas (há um Deus), narrativas que lembram recorrências de um Jó bíblico negando-se a si mesmo sem negar o Criador, chuvas, nuvens, paragens, afogadilhos e afogados com lanternas, o repugnante e o sagracial, e entra no historial das contações com barulhanças e tristices, de Nero a Hitler, passando por Herodes, aqui e ali tentando um sentir imenso a partir de um nada sentir (o autor ficou doente depois de escrever o livro?... Mistério... Lenda...).
Os sobre-humanos estão nas páginas do livro, nas páginas de rostos-purgações, de restos-retalhos-retratações-partilhas (histórias do ouvi-dizer, ouvi-viver), ou na própria concepção magistral como um todo da obra?
Pois é: eis a obra, eis o autor, e, cá entre nós, eis uma tentativa de resenha crítica de quem se apaixonou pelo romance “A Mulher, O Homem e o Cão”.
Aliás, falando sério, qual dos três (entre tantos) personagens do tema-obra gostaria de escrever uma história assim?
Nunca se sabe o desfecho de uma fábula. Leia e deguste.


*Silas Correa Leite – Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design, Finalista do Prêmio Telecom, Portugal. Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP). E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net – Blog premiado do UOL


BOX

Livro: “A Mulher, O Homem e o Cão”, Romance, Ficção, 2009, 152 pgs.
Editora Letra Selvagem, SP
Autor: Nicodemos Sena
Site da editora: www.letraselvagem.com.br

E-mail do autor: letraselvagem@letraselvagem.com.br

Tuesday, February 03, 2009

Kit Básico Primeiros Socorros




Kit Básico de Primeiros Socorros Para os Seres Sensíveis

(Use em situações existenciais de emergência)

1* Poesia: Para tornar mais doce o sonho enfavado de maravilhosas buscas, tornar mais esperançosa a caminhada e mais suave a respiração da alma;
2* Música: Para lembrar que tudo é música, como o equilíbrio entre a natureza e os frutos dela que são os seres humanos, na a sinfonia existencial de primeira grandeza;
3* Filme: Para nos ajudar a permanecer antenados com cabeças e corações, almas perfumadas, já que a arte é uma libertação, e uma asa só se completa em outra e então permite na união e soma a técnica de vôo;
4* Livro: Para registrar que vida é assento de nós mesmos, raízes e estrelas, origens e ninhais; palco iluminado em páginas abertas de viver e vencer;
5* Campo: Para depositar nossa alma na tez chã de tantas andanças, pois o cordão umbilical pode retesar mas nunca se romperá do nosso ponto de partida, e há uma estrela e um arado a compor a nossa caminhadura evolutiva, cósmica:
6* Praia: Para nos tocarmos que não importa o que aconteça a vida continua em marés altas e baixas, sal e ilhas, experimentações e viagens, portos e linhas do horizonte muito além do azul do céu que se permeia em tantas vertentes;
7* Viagem: Porque temos que chegar e partir, há tempo de semear e tempo de visitar o trigal amarelo, há barcos e adeuses, somos peregrinos pela própria natureza, nunca termina o nosso caminhar, existir é uma viagem como se nós mesmos fôssemos os ourives de nossa evolutiva seqüência aditivada numa futural empreita de luz;
8* Carinho: Que é o que pode curar e até mesmo manter abertas portas e janelas, pois a chave é a nossa mão erguendo o muro ou o castelo, já que o livre arbítrio é que dá a comanda de nosso sucesso no verbo viver;
9*Chuvas: Devemos nos salvar com as lágrimas, até com as chuvas nos sonhos, toda água é energia e Deus respira em cada átomo da água que veio de antes para o eterno, e precisamos como partes do Planeta Água, com a nossa massa corporal sendo água, amar a água como se a nós mesmos.
10*Amor: Porque amor é tudo o que move, somos feitos e a partir dele mandamos mensagens de amor para o futuro, e o melhor gesto de amor é a mão estendida, o abraço demorado, o ombro amigo, luz em conexão com a luz.
Poeta Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br