Tuesday, October 08, 2013

GOTO, ROMANCE DE SILAS CORREA LEITE

GOTO, Romance A Lenda do Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé COMO FOI ESCRITO AO LONGO DE DEZ ANOS, O ROMANCE DE SILAS CORREA LEITE Queria usar o Rio Itararé num romance, como li grandes romances que tinham rios e veredas como personagens naturais. Primeiro inventei um remador noturno, depois, fã de Quasímodo de Victor Hugo (O Corcunda de Notre Dame), achei por bem com a deficiência do personagem principal, Ari, fazê-lo “andar” nos remos, sua muleta como um remo, e depois surgiu o “voar” na imaginação. Construí o pai, caboclo ribeirinho, matuto, mãos de pardal, a mãe, simplória, submissa, falando por versinhos precários mal rimados, porque o ambiente rio e margem, eram o rio Itararé, o mais belo rio que corre por minha aldeia. Faltava o cais, o píer, o ancoradouro adjunto à um areal e coivara, e a ponte literal, o historial todinho. De onde o menino entrado na adolescência “saía” para viver, navegar nos causos, que acabaram num caos existencial de si mesmo. Os passageiros o entretiam, logravam, enchiam de loas e lorotas. Depois o romance começou a trazer causos cabeludos, do arco da velha. Pronto? Estava inaugurada, por assim dizer, uma tal terceira margem – mágica, fantástica, esplendente - do bendito rio Itararé e suas acontecências ribeirinhas desde os tempos em que a água bebia a onça. Os causos foram indo e vindo, fluindo naturalmente. Troquei alguns, mudei outros, tinha que ser o Ari, depois Goto – feminino de gota (ele se sentia uma gota de água à margem fluvial de um átomo da natureza) – a contá-los, trazê-los, encená-los, vivê-los na primeira pessoa ou não, sempre reproduzindo com pantomina e gestual inerente – feito um Dom Quixote moleque - no teatro cênico das águas, com margens, parágrafos, falas, mais a atlântica hileia verde majestosa beirando de cusarruim a bicho folhudo, marionetes, fantoches, fantasmas, espantalhos, sacis, Zé dos Piolhos e outros mitos náuticos. Dez anos na labuta, escrevendo, reescrevendo, conferindo, mudando dizeres, dando chutes nas sombras, acrescentando parágrafos, citações, neologismos pertinentes e quadrinhas pastoris, erros e acertos, causos do arco da velha também, como quem conta causo de dia cria rabo de cotia, ou como quem conta um conto inventa um tonto, e vice-versa. Citações folclóricas, popularescas, e o historial entrando em dimensões como se uma encruzilhada do rio, uma zona neutra, zona morta, uma espécie de triângulo das bermudas em Itararezinha, por assim dizer, levando e trazendo causos, seres, almas penadas, mais as contações do presente, passado, futuro, evocadas por vivos, boêmios, pescadores, retrazidas na consciência por mortos, saudosos, perdidos no limbo, mais o dom do Goto Ari, o Arigoto, em fazer a pessoa contar tudo de si e ele literalmente também ser arrancandor de tudo, de sabenças e contencices, de mentiras e remorsos, e poder assim, no seu navegar-aleijado, também poder literalmente viajar na batatinha, lavar a égua, lavar a água... lágrimas e ilusões joviais com suas mãos de água e mente brilhante de um guri atiçado à beira do rio que então o navega no ir e vir, mais as mil e umas noites da canoa Faísca de Aladim no país das risadorias e maravilhas de acontecências... Quando o romance/novela estava pronto, ainda faltavam aqui e ali pedaços, costuras, arames, estabulações, fechamentos, acertos, remendos, detalhes de um ou outro dos cinco personagens, personagem rio, personagem barco, personagens Ari, Mãe e Pai, os três reis magos, os três mosqueteiros, como ele mesmo brincava de dizer até conversar com almas do além e fantasmas da encruzilhada onde se tornou um transportador deste mundo para outro, do outro para a literatura, claro. Deu trabalho. Com certeza, li mais de mil vezes o livro, buscando erros, palavras fora do contexto, e, com certeza, aqui e ali ainda passaram erros de grafia, acentos, etc. Mas o Goto, que acabou se restando sendo de 432 páginas, citando importantes cidadãos populares de Itararé às pencas, de famosos a popularescos, de pescadores a boêmios, de pintores a músicos, de noiteadeiros a invenções que povoam a própria fauna notívaga de Santa Itararé das Artes, Estância Boêmia pela própria natureza. O Ari na verdade tinha esse “de-quê” de noiteadeiro, então, uma serie desnatural de circunstancias coincidiram de fazer/criar a encruzilhada, o triângulo, a situação de fantástico do livro, tudo cruzando entre fatos, nomes, situações, águas e estrelas, animais silvestres e o cão Sabonete - também mordendo o próprio rabo - lavando a alma-rio do guri, o Goto. Esse é o romance. Os causos trazidos e por ele “dizidos” são de engraçados a tristes, são do tempo de trevas ditatoriais a seres-personagens no rami rami de Itararé, de mentirosos a sábios, de fábulas a lendas, de mitos a histórias pra boi dormir, entre historias que o povo conta... para não dizer de causos fantásticos que costuram a tessitura do que se pode dizer de, novelisticamente romancear. Acho que se firmou ao cabo de tudo um bom livro, gostei do projeto final, do nome, um achado, no historial todo, do inicio ao fim, mais Itararé de novo feito uma Shangri-lá, uma Neverland, uma Pasárgada, uma aldeia-chã com seu berçário-ninhal alumbrado de causos, iluminuras, estrelas, personagens que dizem de um palco iluminado deste meu chão de estrelas, e, também com GOTO quero eu colocar Itararé na consciência do mundo. -0- O Autor Para CULTNEWS E-mail: La-goeldi@bol.com.br

Monday, September 23, 2013

GOTO, Romance de Silas Correa Leite

Breve Resenha Crítica GOTO, o Novo Romance de Silas Correa Leite GOTO – A Lenda do Mundo do Barqueiro Noturno Na Terceira Margem do Rio Itararé -“A mão que faz girar a água no charco Acorda a areia movediça; que amarra o sopro do vento” Dylan Thomas Sessenta anos e vinte livros. Pensa que é fácil? Sessenta anos e postado em mais de oitocentos links de sites, até no exterior, desde a América Espanhola, passando pela Europa e mesmo África. E ainda assim – e por isso mesmo? – tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web”. Nessa idade do lobo, o escritor premiado em verso e prosa, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, cyber poeta e ficcionista como referência do mundo virtual, segundo o Portal Imprensa/TV Cultura-SP, lança o que pode vir a ser o seu melhor livro até então, o nominado GOTO, masculino de Gota, uma ‘gota no reino encantado do mundo do barqueiro noturno do Rio Itararé’, feito, o próprio romance, ser aqui ‘uma outra terceira margem do rio Itararé’. Livros Porta-Lapsos, Poemas, O Homem Que Virou Cerveja, crônicas hilárias de um poeta boêmio, (Prêmio Valdeck Almeida de Jesus/Salvador, Bahia), Campo de Trigo Com Corvos, contos premiados, incluído para a seleção final do Prêmio Telecom/Portugal, O Tao da Poesia, poemas filosóficas com base em Tao, o Ser Iluminado do oriente, Desvairados Inutensílios, um almanaque de haicais e twittercontos, todos os trabalhos elogiados e de primeira grandeza literária, e, ainda O Rinoceronte de Clarice, primeiro ebook interativo da rede mundial de computadores, onze contos fantásticos, cada ficção com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, que, por ser pioneiro, de vanguarda e único no gênero, foi destaque na grande mídia, inclusive televisiva, depois virando tese de mestrado em Ciência da Linguagem pela Universidade de Brasília e também tese de Doutorado em Semiótica pela UFAL. Silas Correa Leite surpreende pela imaginação fora de série e peculiaridade do estilo criativo, quer também pelos neologismos como irônicos desdizeres letrais de “Silas e suas ‘siladas”, que forram as redes sociais do Orkut ao Facebook onde tem milhares de seguidores, quer pelos pensadilhos (pensamentos trocadilhos), ou pensagens (pensamentos mensagens), ou mesmo com polêmicos e diferenciados artigos críticos, ensaios mirabolantes, resenhas literárias, todo com seu estilo todo próprio e talento narrativo incomun, do que pode se dizer da emergente literatura brasileira contemporânea. Por essas e outras, lendo e comendo com avidez o romance de 432 páginas, que já nasceu um clássico, bancado pela Editora Clube dos Autores, SP, ao lê-lo com prazer e aferroado na leitura, você não poderia deixar de pensar – mesmo com a sintaxe toda própria e assinatura criacional do Silas, Jornalista Comunitário, Professor, Conselheiro em Direitos Humanos – em Cem Anos de Solidão (Garcia Marques), Baudolino (Umberto Eco), e mesmo Ítalo Calvino, e, ainda, em Érico, Guimarães, Gracliano, e até, ao final da obra, em Clarice Lispector. A bela e bucólica cidade histórica de Itararé, claro, santa estância boêmia das artes, aqui, literatura itarareense em seu melhor estilo, a Terra do Nunca feito palco iluminado do autor. No livro, o escritor desfila o bufão do personagem ribeirinho, o menino GOTO, num barco também meio encantado chamado Faísca de Aladim, em que o personagem principal leva e traz passageiros noturnos, cruzando de margem a margem as guirlandas espumosas do rio Itararé, do lado de São Paulo, ermo da periferia rural do município de Itararé, até Bom Jesus da Versalhada, nordeste do Paraná. A leitura da obra, uma viagem. Esse rio... esse barco...esse menino deficiente físico... E os causos hilários, as loucas contações, risadorias por atacado e implicações; santerias e falas bizarras, tudo acontecendo de acontecer para assim também extrapolar a vazão do rio de divisa de estados, e a imaginação espeloteada (e estrambólica) do navegante com seus dons, falácias, sua inspiração, sua doce e questionadora espiritualidade purgando umidades, estrelas e mesmo a hiléia verde do habitat que o protege entre jaós, andorinhas, acrobáticos peixes salteadores e acontecências que não são desse mundo, não estão no gibi. Ah o Goto que meio criança e meio jovem, inocente, puro e besta, viaja na batatinha, na maionese, no shoio existencial, com seu lado sentidor, pensador, inquridor, loquaz, já que fala pelos cotovelos, e que tem o dom de arrancar das pessoas tudo o que delas houve em vidas, acertos, errações e problemas. E as margens que oprime o rio, ora bruma, ora cerração, ora turvações propositais do leitor. Quem viaja nesse barco-livro é o leitor cativado também, abduzido, pois o livro-canoa arrebata e leva, numa fruição náutica, narrativa fluvial em prosa que é cativante, sedutora, engraçada e lítero-culturalmente rica, entre causos pra boi dormir, entre remos, barrancos e desconcertezas paraexistenciais, a natureza e sua fauna e flora, mais a atiçada alma humana juvenil levitando, clarificando, sendo arrebatada pelo que ouve, capta, sente, mais suas mãos de água e o que aprofunda a natureza épica do romance. A cada aurora, de cada dia, o rapazote – também aleijado por dentro? – trazendo suas histórias para contar, cavocadas do presente, do passado e do futuro, mistérios do arco da velha. Os matutos pais caipiras, e aquela espécie assim de cinema mental na matina de um ermo ribeirinho, nas acontecências que traz e narra e tem, falando pelos cotovelos, Goto abre corações, mentes e sentimentos dos personagens pescados nas viagens, – até os inexistentes – mais a própria e natural angústia do jovem, o medo coisa, o medo-rabo, o rabo entre apenas com aquilo tudo, o vespeiro pandimensional e fantástico em que mexeu, ainda a busca da própria canoa-condução para sua situação limitada, a canoa como muleta para sua iluminura. Na canoa ele pode andar, pelo menos; nos causos ele pode sair de si, voar, ditar os enfoques, gestos, sonoridades, tons e timbres. O pior lugar, lá, qualquer lá, é em si mesmo? O que é verdade, o que é mentira, o que é invenção transgressora e libertária, feito um rebelde de muletas, na terceira margem do rio Itararé? O Goto, a Faísca de Aladim, ou os rios causos navegados e navegantes, até navegadores? Silas Correa Leite inicialmente demarca território de criação, evoca os personagens básicos, apresentado-os, a ensimesmada mãe de GOTO que fala por versinhos pueris, o pai de GOTO um coió implicante com mãos de pardal, depois entrega a obra nas mãos de água do menino – que o autor queria voltar a ser? – para que ele tome a empreita da viagem do livro, para que ele destile falatório, conte, encene, divague, apoquente, surre verbos e açode causas imaginárias, ora no gestual, na voz, aos pedaços feito saltar pocinhas de parágrafos, sangue cênico, como um Crusoé acompanhado (ilhado) numa platéia de três (pai, mãe, e o cão Sabonete), botando em polvorosa os genitores humildes e caboclos do mato, principalmente quando aturdidos vêm o inexplicável, a visita de escravos do tempo da onça, de outra época (outra dimensão?), guardas de um imperador em guerra, circos de fantasmas, feito, um Goto e todo o seu habitat, uma espécie de encruzilhada náutica do tempo, de vidas, de dimensões,também sendo questionado pelo espantalho Zé dos Piolhos, Zé das Couves, e pelo próprio Mefisto querendo negociar sua alma errante em rios nunca navegados, espírito encharcado de contações e estripulias de mexer até com o que não podia, não devia... Afinal, dizia Constantin Brâncusi: “Não é a forma exterior das coisas que é real, mas, sim, a sua essência”. A Canoa Faísca de Aladim é a companhia-personagem "Sexta-Feira" do Goto? Diz a lenda universal das artes que todo escritor é um grande mentiroso. No caso do clássico GOTO, romance, é um livro que o leitor também navega ora em águas barrentas, ora clarificadas por chispas de cisternas, janelas para o céu de cada um, mergulha aqui e ali em águas profundas da escrita muito bem elaborada, se aprofunda na narrativa cativante, às vezes sem saber o que é o personagem principal mesmo, o que é o rio, a palavra, o que é a canoa-imaginação, os causos, embutidos num salame de fatos, sentindo a alma do escritor no arrazoado das idéias literárias de grosso calibre e de alto quilate. Goto-rio-canoa, às vezes o leitor pergunta se o que lê é isso mesmo, se há mais alguma coisa no tácito, o que é a contracorrente de um final, indo até ao sub e o sob e o sobre do espírito viajoso do menino entrevado em questionamentos, tipo, saber de onde veio, para onde vai, quem é enquanto ser e espécie, o que é realmente o verbo viver, qual vai ser seu futuro de limitado e sozinho, menino com paralisia que fala muito, canta, voa, conversa com animais e leva o barco no bico, mais a fragilidade no seu lado sentidor, muito loquaz e perguntador de primeira, quando, encharcado de loas e lorotas busca explicações para o que não há, não foi revelado ainda, não tem, principalmente ali no átomo e no mato com cachorro, não virá – precisa fugir! fugir! fugir”! - a vidinha no rami rami da beira-rio sem fim, com seus fantasmas, sonhos, perguntamentos e frustrações, não cabendo em si e no seu barco em desproposital filosofia náutica, entre crendices marotas, cismas rotineiras e seu andar de segura peito, seu calcanhar de frigideira. Navegar é preciso? No romance GOTO é até preciosamente precioso. À deriva é dentro de nós? Soltem os remos! -0- Maria da Gloria L. M. Aranha mglaranha@bol.com.br Jornalista, Publicitária, Professora http://desvairadosinutensilioscyberpoetasilas.zip.net/

Wednesday, September 18, 2013

O TAL DA POESIA, NOVO LIVRO DE SILAS CORREA LEITE O TAL DO POETA



Acordo, como, bebo, sangro, vegeto, durmo. Tudo outra vez. Para depois acordar triste de novo, na mesmice de uma sórdida existencialização, em que a hipocrisia impera e a mediocridade não tem limites. Todos deveriam ter um cérebro. E deveria haver também uma recarga sistemática de vez em quando. Todos deveriam ter alma, sentimento, coração. Mas aí seria pedir muito, pedir demais. Não seríamos condenados a existir se fôssemos santos. Escrevendo pago a minha pena, dando testemunho do horror que é estar na terra, aterro sanitário a deriva no espaço. Não sei ser SER. Nunca vou conseguir me parecer com isso. A poesia é meu labirinto curativo, purgativo, válvula de escape, saída de emergência. Estou fechado para escrever Poesia. Não me procurem mais. Não me reconheço em mim. Escrevendo Poesia tendo pagar a minha taxa de trevas. Cuidado frágil. Esse lado para cima. Perguntem ao pó. – Silas e suas siladas

Friday, July 19, 2013

O NOVO LIVRO DE MICROCONTOS LOUCOS DE SILAS CORREA LEITE: TROIOS PERIGRITANTES


 
 
 ‘Troios Perigritantes’ Livro de Microcontos de Silas Correa Leite


 ‘Troio’ é um neologismo para a mistureba de joio e trigo, numa catança  marota de twittercontos, loas mínimas e nanoprosa do autor que vão de pensadilhos jocosos (Pensamentos trocadilhos) a pensagens irônicas (pensamentos mensagens), passando por doses de incompletudes urbanas/humanas em drops cênicos. Microcontos, (rastilhos/meteoritos), barbaridades e extravagâncias, feito  derrama em  sachê de mixórdia para rir, ficar de butuca sacando o quase, achar ruim pela desnatureza do vagido que é regurgitado, desde a desvairada Paulicéia S/A. Prosa de desvairados inutensílios agora em  quinquilharias letrais. Nesse pocketbook, stories que clarificam em atos mínimos o inominável e o indizível.

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Quando escrevo permaneço em um nível de

concentração que me permite criar vozes e  frases

estranhas a mim.  John Banville, Luz Antiga

 

Fixar o alvaiade no rosto com máscara. Dalton Trevisan em drops? Quem tem Orkut tem medo. Sampa... nem ‘dulcora e nem eldorado’. Os coxinhas hedonistas retratados. Nelson Rodrigues pósmoderno em tempo de infovias efêmeras como cincerros? Cenas de sangue cênico como Plinio Marcos meio Bukowski tramando subterrâneos. Pinceladas rápidas em Glauber de/compondo cenas de instante-trevas. O certo e o errado, o ‘flagramenthus’ a arrebentação. Trigo e joio, num neologismo: TROIO.

A palavra iluminando o silencial. Quinquilharias de mini'stories', contos mínimos, parágrafos saindo pela tangente, pelo ladrão. A culatra da ironia, o desdizer, do, curto e grosso “mãos ao ato” em si. Naniquidades perversas em narrativas rápidas e rasteiras. O que alguém tem a dizer, quando escreve contos nanicos como fotografias em 3X4 de um lambe–lambe fake mambembe em sépia, a palo seco? O conto-quase no haraquiri das palavras. Contos rastilhos que, quando saem, alvoroçam clarificações indizíveis, feito desvairados inutensílios em narrativas contundentes.

O que ninguém quer sacar, tem medo de, escoa o meio, a sociedade, o medo-rabo de um ‘mondo cane’ em bravatas, panurgismos e polvorosas, como se a fazer ‘petalamentos’ de promessas 'perigritantes', feito ‘ilumideias’ em almanaque de micronarrativas telúrico-lustrais. Conversa afiada pra boy dormir, sacadas-coivaras em quinquilharias narrativas como naniquidades perversas.  

No final, todos tiramos o boné cabritado para tantas esquisitices? Viver é plágio, sobreviver é platônico e escrever é ‘daltontrevisanar’ o rancor, o escárnio, o vitupério, a vicissitude, o sígnico, desde o campo de lavanda com corvos, passando por uma espécie de brincar de esconde-esconde com o trágico, o cômico, o próprio abismo das alienações purgadoras. A faca é cega mas ainda acorda.

Tudo é possível ao que cria. De perto ninguém é normal, cantou Caetano Veloso. O importante é que a erosão social dê o que falar? Quando o perto fica mais perto, nesse momento expande o universo, disse Helena Katz (Colônia Penal). Deve ser isso o troio perigritante, em tons de cinza. TROIOS PERIGRITANTES como cerebrança de arreios, nódoas e inquietações. Como tudo é impossível de mudar, delatar é preciso, assim mesmo, na lata. Estamos todos ilhados no pântano da condição humana com seus cincerros, e todos sangram e buscam desesperadamente alguma coisa que não sabem o que é. Quem cria, regurgita? Talvez o mundo já tenha acabado, e apenas os artistas, poetas, loucos e fabricantes de bonecas é que não foram avisados.

É isso, cara-pálida: Somos Todos ‘Troios’. A minha parte quero em cerveja, controle remoto e uma máquina mágica de escrever pensaVENTOS. O romance vence por pontos, o conto vence por nocaute, disse Octávio Paz. E os curtos “surtos circuitos” de TROIOS? E o microconto, o twittercontinho; dedo de prosa no dedal das anomalias? Ah um meteorito minimalista ainda faz estragos. Há o pé no sacro, o repente-lucidez, a ficção-angústia, uma quimera narrativa do autor destrambelhado que põe pingos em is, dábios e reticências. O prisma saindo pelo buraco da fechadura/ferradura.

Repentes cínicos, contos miniaturas, nanicos, do fantástico ao político, do poético ao memorial, do elaborado no jorro neural em refluxo recorrente, ao contundente do diálogo curto e grosso, do paradoxal ao escabroso, das falas rápidas pincelando situações irônicas  ou até mesmo politicamente incorretas que sejam, sapecando fogo na canjica, tipo batatinhas viajando na maionese; no shoio paraexistencial,  até no cervegetariano zenboêmico do autor feito um neobeatnik contemporâneo a botar a boca no trombone, em suas disparidades ímpares... TROIOS são, Troios hão, Troios vão, troios cão, troios chão, então: Perigritantes nanicas contações bem ao estilo da revista MAD: você não vai acreditar no que vai sentir quando acabar lendo.

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O livro de microcontos e twittercontos do Cyber Poeta Confeccional Silas Correa Leite, também novo ebook do autor, está à venda impresso e no formato digital no site:


ou no link:


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Antonio T. Gonçalves

Jornalista, Mestrando em Educação Contemporânea

OS EBOOKS DE SILAS CORREA LEITE


 
Os Ebooks do Cyber Poeta e Ficcionista Premiado Silas Correa Leite


-Escrevendo desde os oito anos de idade, publicando desde os 16 anos em jornais de sua terra, Itararé-SP, quando descobriu a internet, Silas Correa Leite, que escrevia todo santo dia (hoje tem mais de mil cadernos de rascunhos poéticos de duzentas páginas que foram reportagem no Metrópolis, TV Cultura de SP), sacou o ambiente virtual e como reproduzir, corrigir, imprimir, compartilhar, editar, ilustrar e divulgar seu diferenciado mundo líterocultural. Oficialmente lançou Ruínas e Iluminuras (Prêmio Eduardo Coelho, Elos Clube, Comunidade Lusíada Internacional), sua estreia, depois Trilhas & Iluminuras (Editora Grafite/RS) em seguida Porta-Lapsos, Editora All-Print/SP, quase uma antologia de poemas premiados, publicados em sites, revistas e mesmo em antologias literárias de renome, até do exterior. Depois veio Campo de Trigo Com Corvos, contos premiados, Editora Design/SC, classificado para a final do Prêmio Telecom, Portugal, em seguida O Homem Que Virou Cerveja, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Editora Primus/SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador/Bahia, e agora está lançando DESVAIRADOS INUTENSILIOS, poemas, pela Editora Multifoco RJ.  

Depois começaram os e-books, dos quais ele virou referência, segundo o Portal Imprensa. Primeiro o livro virtual de sucesso, primeiro e-book interativo da rede mundial de computadores, pioneiro e único no gênero, O RINOCERONTE DE CLARICE, onze contos fantásticos, cada ficção com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto. Por ser de vanguarda, teve um recorde de download na Editora HotBook, RJ. Foi destaque na grande mídia (Estadão, Diário Popular, Revista Época, Revista  da Web, Minha Revista, etc.), inclusive televisiva (TV Cultura, Programas Metrópolis e Provocações; Rede Band, Momento Cultural/Márcia Peltier, Rede 21, Programa Na Berlinda, etc.), e obra recomendada como leitura obrigatória da matéria Linguagem Virtual, no Mestrado de Ciência da Linguagem, na UNIC-Sul, de Santa Catarina. Foi tese de mestrado pela Universidade de Brasília e tese de doutorado pela UFAL. A tese está disponível no link: HTTP://biblioteca.universia.net/ (Pesquisar Silas Correa Leite ou “O Livro Depois do livro : a experiência hipertextual em Giselle Beiguelman). Essa obra está disponível como free nos seguintes endereços da internet: 


01)-www.itarare.com.br/rino.htm
02)-http://ebookbrowse.com/livro-o-rinoceronte-de-clarice-pdf-d165920376.
03)-www.fernandojorge.com/Silas-correa-leite/4524102313
04)-www.wordoffiles.net.


-Premiado em concursos literários de renome, até internacionais, como Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor (Secretaria de Educação de SP), Prêmio Paulo Leminski de Contos (Unioeste, PR), Prêmio Ignácio Loyola Bandão de Contos, Premio Biblioteca Mário de Andrade (SP/Gestão Secretária de Cultura Marilena Chauí), Prêmio Literal de Contos (Fundação Petrobrás/Curadora Heloisa Buarque de Hollanda), Vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP-Jornal O Estado de São Paulo/Parceiros do Tietê), Prêmio Instituto Piaget e Ficções Simetria (Microcontos, ambos em Portugal), entre outros. Depois do sucesso de O Rinoceronte de Clarice ainda vieram os e-books ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, romance místico, hoje disponível no link WWW.fernandojorge.com/silas-correa-leite 
O polêmico poema social OS PICARETAS DO BRASIL REAL, da Série Cantigas de Escárnio e Maldizer, Editora Thesaurus, Brasília, DF, disponível no site:  
WWW.thesaurus.com.br/download.php?codigoArquivo=43


Em seguida, o livro GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, aprovado pela Editora Chiado, Portugal, e disponível como e-book de literatura infanto-juvenil disponível no site
WWW.camaleo.com/books/0016106757767c03d1375
Depois veio BULBOS POETICOS, Poemas, e-book disponível no site
WWW.bookess.com/read/15796-bulbos-transversos-poemas-e-desconcertezas/


E mais recentemente o livro virtual de poemas ESTADOS DA ALMA, Acordes Dissonantes de Mins, pelo site de Portugal
WWW.carmovasconcelos-fenix.org/Escritor/silas-correa-leite-02.htm


Silas Correa Leite, Professor, Especialista e Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro diplomado em Direitos Humanos, livre pensador humanista, tem o romance Cavalos Selvagens aprovado por uma editora de SP, em vias de lançar o seu novo livro de poemas e chips poéticos, chamado Desvairados Inutensílios, Editora Multifoco, RJ, planejando lançar ainda outros e-books, de romances infanto-juvenis a livro sobre educação, de livro de crônicas de sucesso na internet a artigos polêmicos, de livros de poemas para a juventude a um livro de haicais e um de microcontos, entre outros. Procurando o nome do autor no Google, o leitor vai achá-lo em mais de oitocentos sites, em todas as redes sociais, com milhares de seguidores, quer pelo Orkut, quer pelo Facebook com seus trabalhos de humor e ironia, como Silas e suas siladas, a pensadilhos (pensamentos trocadilhos), ou pensagens (pensamentos mensagens) e mesmo letras de rock e blues, e ainda ensaios e artigos sobre autores clássicos, criticas literárias e outros assuntos, escrevendo muito e sempre, daí porque foi tachado pelo site Capitu de O Rei da Web, sempre seguindo a máxima de Leon Tolstói quando disse “Canta A Tua Aldeia e Serás Eterno”. O Literato premiado e Cyber Poeta  feito um Homero querendo voltar para casa, cantando sua Santa Itararé das Artes que adora tanto.  Recentemente, sobre seu novo livro, DESVAIRADOS INUTENSILIOS, Editora Multifoco, Rio de Janeiro, Série Literatura Brasileira Contemporânea, Poesia Emergente, foi entrevistado pela FM-VUNESP de SP e no Programa Sábado 88, FM-Educadora-FAFIT, Itararé-SP.

Por fim, o autor criou o livro TROIOS PERIGRITANTES, microcontos, quinquilharias perversas em nanonarrativas, twittercontos, ficções mínimas, que está à venda como ebook ou mesmo livro impresso no site: http://www.clubedeautores.com.br/book/148073--TROIOS_PERIGRITANTES


Blog do UOL premiado do autor:
WWW.portas-lapsos.zip.net

E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br

-Livros a venda no site: WWW.livrariacultura.com.br


CultNewsArt Literatura Releases Criticas - (Divulgação) La-goeldi@bol.com.br

 

DESVAIRADOS INUTENSILIOS, O NOVO LIVRO DE POEMAS DE SILAS CORREA LEITE


 
 
Pequena Resenha Crítica

 

Livro “DESVAIRADOS INUTENSILIOS” do Cyber Poeta Silas Correa Leite

Todas essas criaturas a que chamas animadas,

como aquelas a que negas a vida, sem razão

melhor do que a de não as veres em ação – todas

essas criaturas têm, em grau maior ou menor,

capacidade para o prazer a dor; mas a soma geral

de suas sensações, é, precisamente, aquele total

de felicidade que pertence de direito ao ser divino,

quando concentrado em si mesmo. Edgar Allan Poe

 

“DESVAIRADOS INUTENSILIOS”, Editora Multifoco, Rio de Janeiro, é o novo livro de poemas de Silas Correa Leite, o Cyber Poeta tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web” (o autor está em mais de 800 links da net), que no programa “Provocações”, do Antonio Abujamra, da TV Cultura de São Paulo, exprimindo sua latente poética da tristeza, disse que “corta os pulsos com poemas”; também disse que se sente um “E.T.” entre nosotros, e que, “como a vida não lhe deu limões, fez limonadas de lágrimas”. Pois os poemas da safra desta nova obra, ““Desvairados Inutensílios””, tem todas essas lágrimas em contracorrentes, têm esses ácidos multiformes, essas sutilezas esplendentes, mais catarses, onirismos, surtos-circuitos, correntezas hilárias, delírios, irrazões, errações e ousadas experimentações, próprio do estilo do autor.

Humor ora discreto, ora rompante, quando não plangente, ou mesmo curto e grosso. Humor e brevidade, bem próprio desses nossos tempos de correria (e tantas infovias efêmeras) e amarguras. Galhofa, ironia, na linha de Oswald de Andrade (poeta da semana da arte moderna), com invencionices, desvarios, inutensílios, e, claro, dissonâncias de acordes breves. Tudo a ver. 

Minimalista? Neoconcreto aqui e ali. Há ainda o dizer no desdizer, ficando a vertente no implícito, o pulso no tácito, o dizer (fazer poético) obliquo, a palo seco. Haiquases, sim. Acordes dissonantes na linha do seu feitio, tipo “Silas e suas siladas”. Conflitos com filtros (olhos obtusos), briancanças verseiras, twitter-poemas até. O nada-que-é-tudo serpenteando versos ridentes, risadores. O clic e salta o verbo: insights, iras certeiras. Já pensou? Inventando o inexistente, o olho mágico é do poeta ou de sua cetra parideira de poemetos, feito uma metralhadora dialética? O Poeta Silas não oscila seu deleite derramado.

Tem seu espiral de haikais e tankas diferenciados. Alinhava suas tessituras – no “tear do silencial de ‘mins’ e h2outros” como muito bem diz ele – feito até, por que não, um antipoema que ainda é, assim e por isso mesmo, também, poesia pura. Ou, vá lá, impura como jojobas ácidas. Guloseimas ocres. Fios (fiações) literais vários, meio neozen, meio Pessoa, Drummond, Bandeira, Maiakovski, Bertold Brecht, Frederico Garcia Lorca, José Saramago, Manoel de Barros, Mário Quintana, Robert Bob Dylan Zimermam. Será o impossível? Ai de ti Babilônia Bandeirantes. Ou a Neverland Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, a terra-mãe do autor, que a canta em verso e prosa e baladas and blues. Poesias com in/fluências várias, meteoritos-maroteiros. Bulbos letrais.

Marotices literárias. Ler, rir, curtir. Sentir. Bijuterias com alguma angústia-vívere, mais a solidão-albatroz, um certo medo-coisa, disparates, instante-trevas (luz). Bulbos-surtos-circutos portanto. Lacre e limo. Lume e húmus. Humor e técnica de aproximação com a lucidez-loucura. Chorumes e a tal da bendita (maldita) antilira. Niilismo. Pode uma coisa dessa? “Desvairados Inutensílios” é isso: pós-Porta-Lapsos (o último livro de poemas do autor), sendo um boêmico tabuleiro de mixórdias letrais mesmo, avessos de reversos, experimentações cítricas, quando não pan poesia.

Pensadilhos? Pensamentos trocadilhos, diz ele. Pensagens? Pensamentos mensagens, diz ele, com seus tantos neologismos do arco da velha. Melhor morrer de overdose de poesia do que de normalidades hipócritas? Antes sóbrio do que mal acompanhado, trocadilha o autor, muito bom nisso, textificando ócios do oficio de tentar ser um Ser. Não é fácil. Escrever poesia é extra/vazar o lume neutro de fugas, ilhas movediças, facas cegas em palavreiros. Poemas letras de rock. Poemas histórias em quadrinhos. Mas poemas bem contemporâneos.

A faca é cega mas ainda corta, diz a balada.

Os entrecortes epigramáticos – a faca nos dentes - nos entremeios (e entreveros) poéticos tem tudo a ver com o que cria o Cyber Poeta Silas Correa Leite, já elogiado por Moacyr Scliar, Álvaro Alves de Faria (que já o entrevistou duas vezes na Rádio Jovem Pan), Ignácio de Loyola Brandão, João Silvério Trevisan, Rodrigo de Souza Leão, Sergio Vaz, Antonio Miranda, Plínio Marcos, Marcelino Freire, Elio Gaspari, Pedro Maciel, Miltom Hatoum, Araken Galvão, Antonio Cabrita (Moçambique, África), e outros.

Ítalo Calvino disse “O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo: Marx o chama de alienado, Freud de reprimido; um estado de harmonia antigo foi perdido, aspiramos a uma nova totalidade” A poesia do Cyber Poeta Silas Correa Leite muito bem – e ainda filósofo-irônico - exprime (e agoniza?) isso. Tempos tenebrosos. Ser Humano é uma desnatureza que deu errado?

Poesilhas: pois é: lendo o poeta você vê (sente) uma espécie assim de ‘ilha de edição’ – prisioneiro de sua própria existencialização? - que é o seu contundente fazer poético de louco desvarrido; com seus poemas atirados como se em garrafas vazias pedindo socorro, resgate, rumo, âncora, casa, paz, lar. Feito um Homero sonhando uma Itararezinha que talvez só existe mesmo em sua cabeça, em sua imaginação.

Habemus o cyber poeta a ferro e fogo, cerveja e enxofre, mas, ainda assim e por isso mesmo, seu mosaico lustral no livro de poemas “DESVAIRADOS INUTENSILIOS”.  Salve-se quem puder. Periga LER

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Crítico Antonio T. Gonçalves, São Paulo, 2012

Jornalista e Professor Universitário



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PAULO ROLIM CORREA DE ITARARÉ, UM GÊNIO DE SEU TEMPO UM VISIONÁRIO



 

Artigo/Opinião - Homenagem


Paulo Rolim, Um Visionário Que Ainda é Orgulho e Honra de Itararé

“Canta a tua aldeia e serás eterno” León Tolstói

Filósofo, Humanista e Livre Pensador Paulo Rolim. Pois é, meus camaradas, saudades e respeito. Faz tanto tempo que ele se foi, e muitos ainda dizem que ele foi o Itarareense mais inteligente que nossa estância boêmia já teve, em celeiro de artistas e chão de estrelas que nossa Itararezinha encantada sempre foi.  Virou uma lenda... um mito. Ninguém nunca mais no mundo escreveu o que ele escrevia, principalmente sobre Vimatologia. Foi um incompreendido? Foi genial. Deixou apenas um livro impresso, mas muito filhos-livros (páginas abertas) “adotados” de corpo e alma e oriundos da antiga Casa Paterna, porque ele, além de muito criativo, artista, jornalista, radialista, ventríloquo, visionário, espiritualista e escrever sobre discos voadores nos anos 50 (tachado de louco, portanto) ele era caridoso, amoroso, criou a Casa Paterna de Itararé e até foi perseguido por isso, e por ser mais inteligente do que seus suspeitos críticos de ocasião, ou que não souberam compreender sua portentosa mente brilhante, sua dignidade ético-plural comunitária, humanista, seu coração de ouro e sua alma iluminada muito além de seu tempo. O tempo não apaga estrelas.

Décadas depois que PAULO ROLIM morreu, corriam histórias do ser humano, do cidadão, do talentoso artista. Até mesmo comentários de que um texto enorme seu (um calhamaço de papel datilografado e ilustrado por ele) teria sido enviado à produção da Rede Globo, e que algumas novelas mesmo, inclusive O Clone, teriam se aproveitado de suas criações muito adiantadas para sua época. Os gênios não são compreendidos em seu tempo, e, ainda dizem, santo de casa não faz milagre. Sobrinho de meu patriarca Maestro Antenor Correa Leite, como o Lazico Correa e mesmo Eugenio Cleto, ambos já falecidos e primos, Paulo Rolim Correa já era bem adulto já, quando eu ainda era jovem que amava os Beatles e Tonico e Tinoco, e começara a escrever com 16 anos para jornais de Itararé.

Muitos anos depois, quase trinta anos, depois, recentemente até, o meu pai-patrão Paulo Jurandir Leite da Silva, o Jora Leite, entrando em casa na Vila Sonia, Butantã, SP, ao adentrar meu quartinho de criares aloprados - livros, telas, papéis, inéditos, carrinhos em miniatura, etc. e tal  - uma verdadeira babel de desvairados inuntensilios, curto e grosso comentou: -Entrando aqui, estou me lembrando do quarto de criação de Paulo Rolim, o banzé é igualzinho, nesse amontoado de livros... Então me veio à mente, que, quando muito guri ainda, talvez com sete ou oito anos, de uma conversa do meu pai com minha mãe:   De que um parente da sociedade queria me adotar, por assim dizer, para me passar seus ensinamentos, seus conhecimentos. O pai ficou curioso, ouviu o sobrinho fazer o pedido, depois de idas e vindas na conversa, disse que tachou o convite para ser espírita (como achavam que ele era) do Paulo Rolim, e refugou, porque era crente... Esse papo correu e assim, sem mais nem menos, tornando-me escritor, sabei-me lá porque também, escrevendo contos surreais, fantásticos (loucos?) e outras loucuras literárias por assim dizer, fico a pensar no Paulo Rolim com o qual poucas vezes tive a chance de conversar e ainda assim mesmo de passagem, e sinto que ainda tenho como uma luz, um referencial, um mestre, pensador e sentidor, porque nessa vida somos todos aprendizes e, digo sempre, se vivêssemos mil anos  fizesse cem faculdades, se lesse um milhão de livros, ao morrer ainda saberia se tanto, apenas um por cento de tudo que se tem para saber, uma vida só é pouco – na casa do Pai há muitas miradas – e Paulo Rolim sabia um pouco mais porque era um escolhido, mesmo marcado numa sociedade eu não estava à sua altura à época para compreendê-lo criativo e excepcional. Tudo isso, e, ainda muito triste, por poder escrever sobre ele, dar esse depoimento de aprendiz dele, sem ter uma foto dele para ilustrar o próprio texto aqui despojo, depoimento.

No Centenário do G.E.T.T. Grupo Escolar Tomé Teixeira, sobre ele se escreveu:

PAULO ROLIM CORRÊA:

                  Filho de Clementina Rolim de Moura e Olympio Leite Corrêa, frequentou o Grupo Escolar de Itararé e destacou-se por sua inteligência, sendo considerado um aluno prodígio pela professora Aracy de Oliveira Mello. Possuidor de um espírito caritativo, após casar-se com Cacilda Rolim, criou a Casa Paterna e passou a dar assistência a meninos carentes, chegando a abrigar cerca de 40 crianças. Tornou-se radialista e  jornalista; dedicava-se à leitura sobre mestres e crenças do passado. Dispensou muito interesse a assuntos que se referiam ao Cósmico e aos discos voadores. Montou uma pequena oficina nos fundos de sua casa e ali  imprimia boletins informativos, publicando seus conhecimentos sobre o assunto. Em 1960, escreveu “Cavaleiros do Céu”, o primeiro livro editado em Itararé. Editou também o Jornal  A Arconave - Discos Voadores Através dos Tempos. Essas publicações continham artigos focalizando a origem dos discos voadores, extraterrenos, monumentos, religiões e uma série denominada “Deuses - Naves e Videntes”. Passando a residir em São Paulo, foi responsável por uma coluna no jornal “Notícias Populares”, onde escrevia sobre discos voadores que, na época, despertavam curiosidade. Paulo não viveu o tempo suficiente para ver  que  a popularidade dos objetos voadores não identificados - UFOS cresceu muito através dos anos, sendo objeto de investigação científica.

(Fonte: http://ex-alunosdotometeixeira.blogspot.com.br/p/musica_14.html - Lázara Aparecida Fogaça Bandoni, Professora, Historiadora Premiado a Governadora do Elos Clube, Comunidade Lusiada Internacional)

Paulo Rolim, Jorge Chueri, Maestro Gaya, Paschoal Melillo, Gustavo Jansson, Adriano Queirós Pimentel, Walter Santana Menk, Nenê Bíglia, Celio Santiago, Percy de Almeida Jorge, quantos mestres tive, quantos referenciais? Subi nos ombros desses gigantes para poder enxergar mais longe. Há um Deus.

Nunca mais houve um PAULO ROLIM no mundo.

Somos eternos admiradores dele. O show tem que continuar. BRAVO!

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-Poetinha Silas



Texto da Série “Memórias das Coisas e Causas Que Trago e Tenho de Itararé Que Amamos Tanto”