Monday, September 23, 2013
GOTO, Romance de Silas Correa Leite
Breve Resenha Crítica
GOTO, o Novo Romance de Silas Correa Leite
GOTO – A Lenda do Mundo do Barqueiro Noturno Na Terceira Margem do Rio Itararé
-“A mão que faz girar a água no charco
Acorda a areia movediça; que amarra o sopro do vento”
Dylan Thomas
Sessenta anos e vinte livros. Pensa que é fácil? Sessenta anos e postado em mais de oitocentos links de sites, até no exterior, desde a América Espanhola, passando pela Europa e mesmo África. E ainda assim – e por isso mesmo? – tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web”. Nessa idade do lobo, o escritor premiado em verso e prosa, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, cyber poeta e ficcionista como referência do mundo virtual, segundo o Portal Imprensa/TV Cultura-SP, lança o que pode vir a ser o seu melhor livro até então, o nominado GOTO, masculino de Gota, uma ‘gota no reino encantado do mundo do barqueiro noturno do Rio Itararé’, feito, o próprio romance, ser aqui ‘uma outra terceira margem do rio Itararé’.
Livros Porta-Lapsos, Poemas, O Homem Que Virou Cerveja, crônicas hilárias de um poeta boêmio, (Prêmio Valdeck Almeida de Jesus/Salvador, Bahia), Campo de Trigo Com Corvos, contos premiados, incluído para a seleção final do Prêmio Telecom/Portugal, O Tao da Poesia, poemas filosóficas com base em Tao, o Ser Iluminado do oriente, Desvairados Inutensílios, um almanaque de haicais e twittercontos, todos os trabalhos elogiados e de primeira grandeza literária, e, ainda O Rinoceronte de Clarice, primeiro ebook interativo da rede mundial de computadores, onze contos fantásticos, cada ficção com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, que, por ser pioneiro, de vanguarda e único no gênero, foi destaque na grande mídia, inclusive televisiva, depois virando tese de mestrado em Ciência da Linguagem pela Universidade de Brasília e também tese de Doutorado em Semiótica pela UFAL. Silas Correa Leite surpreende pela imaginação fora de série e peculiaridade do estilo criativo, quer também pelos neologismos como irônicos desdizeres letrais de “Silas e suas ‘siladas”, que forram as redes sociais do Orkut ao Facebook onde tem milhares de seguidores, quer pelos pensadilhos (pensamentos trocadilhos), ou pensagens (pensamentos mensagens), ou mesmo com polêmicos e diferenciados artigos críticos, ensaios mirabolantes, resenhas literárias, todo com seu estilo todo próprio e talento narrativo incomun, do que pode se dizer da emergente literatura brasileira contemporânea.
Por essas e outras, lendo e comendo com avidez o romance de 432 páginas, que já nasceu um clássico, bancado pela Editora Clube dos Autores, SP, ao lê-lo com prazer e aferroado na leitura, você não poderia deixar de pensar – mesmo com a sintaxe toda própria e assinatura criacional do Silas, Jornalista Comunitário, Professor, Conselheiro em Direitos Humanos – em Cem Anos de Solidão (Garcia Marques), Baudolino (Umberto Eco), e mesmo Ítalo Calvino, e, ainda, em Érico, Guimarães, Gracliano, e até, ao final da obra, em Clarice Lispector.
A bela e bucólica cidade histórica de Itararé, claro, santa estância boêmia das artes, aqui, literatura itarareense em seu melhor estilo, a Terra do Nunca feito palco iluminado do autor. No livro, o escritor desfila o bufão do personagem ribeirinho, o menino GOTO, num barco também meio encantado chamado Faísca de Aladim, em que o personagem principal leva e traz passageiros noturnos, cruzando de margem a margem as guirlandas espumosas do rio Itararé, do lado de São Paulo, ermo da periferia rural do município de Itararé, até Bom Jesus da Versalhada, nordeste do Paraná. A leitura da obra, uma viagem. Esse rio... esse barco...esse menino deficiente físico... E os causos hilários, as loucas contações, risadorias por atacado e implicações; santerias e falas bizarras, tudo acontecendo de acontecer para assim também extrapolar a vazão do rio de divisa de estados, e a imaginação espeloteada (e estrambólica) do navegante com seus dons, falácias, sua inspiração, sua doce e questionadora espiritualidade purgando umidades, estrelas e mesmo a hiléia verde do habitat que o protege entre jaós, andorinhas, acrobáticos peixes salteadores e acontecências que não são desse mundo, não estão no gibi. Ah o Goto que meio criança e meio jovem, inocente, puro e besta, viaja na batatinha, na maionese, no shoio existencial, com seu lado sentidor, pensador, inquridor, loquaz, já que fala pelos cotovelos, e que tem o dom de arrancar das pessoas tudo o que delas houve em vidas, acertos, errações e problemas. E as margens que oprime o rio, ora bruma, ora cerração, ora turvações propositais do leitor. Quem viaja nesse barco-livro é o leitor cativado também, abduzido, pois o livro-canoa arrebata e leva, numa fruição náutica, narrativa fluvial em prosa que é cativante, sedutora, engraçada e lítero-culturalmente rica, entre causos pra boi dormir, entre remos, barrancos e desconcertezas paraexistenciais, a natureza e sua fauna e flora, mais a atiçada alma humana juvenil levitando, clarificando, sendo arrebatada pelo que ouve, capta, sente, mais suas mãos de água e o que aprofunda a natureza épica do romance.
A cada aurora, de cada dia, o rapazote – também aleijado por dentro? – trazendo suas histórias para contar, cavocadas do presente, do passado e do futuro, mistérios do arco da velha. Os matutos pais caipiras, e aquela espécie assim de cinema mental na matina de um ermo ribeirinho, nas acontecências que traz e narra e tem, falando pelos cotovelos, Goto abre corações, mentes e sentimentos dos personagens pescados nas viagens, – até os inexistentes – mais a própria e natural angústia do jovem, o medo coisa, o medo-rabo, o rabo entre apenas com aquilo tudo, o vespeiro pandimensional e fantástico em que mexeu, ainda a busca da própria canoa-condução para sua situação limitada, a canoa como muleta para sua iluminura. Na canoa ele pode andar, pelo menos; nos causos ele pode sair de si, voar, ditar os enfoques, gestos, sonoridades, tons e timbres. O pior lugar, lá, qualquer lá, é em si mesmo? O que é verdade, o que é mentira, o que é invenção transgressora e libertária, feito um rebelde de muletas, na terceira margem do rio Itararé? O Goto, a Faísca de Aladim, ou os rios causos navegados e navegantes, até navegadores?
Silas Correa Leite inicialmente demarca território de criação, evoca os personagens básicos, apresentado-os, a ensimesmada mãe de GOTO que fala por versinhos pueris, o pai de GOTO um coió implicante com mãos de pardal, depois entrega a obra nas mãos de água do menino – que o autor queria voltar a ser? – para que ele tome a empreita da viagem do livro, para que ele destile falatório, conte, encene, divague, apoquente, surre verbos e açode causas imaginárias, ora no gestual, na voz, aos pedaços feito saltar pocinhas de parágrafos, sangue cênico, como um Crusoé acompanhado (ilhado) numa platéia de três (pai, mãe, e o cão Sabonete), botando em polvorosa os genitores humildes e caboclos do mato, principalmente quando aturdidos vêm o inexplicável, a visita de escravos do tempo da onça, de outra época (outra dimensão?), guardas de um imperador em guerra, circos de fantasmas, feito, um Goto e todo o seu habitat, uma espécie de encruzilhada náutica do tempo, de vidas, de dimensões,também sendo questionado pelo espantalho Zé dos Piolhos, Zé das Couves, e pelo próprio Mefisto querendo negociar sua alma errante em rios nunca navegados, espírito encharcado de contações e estripulias de mexer até com o que não podia, não devia... Afinal, dizia Constantin Brâncusi: “Não é a forma exterior das coisas que é real, mas, sim, a sua essência”. A Canoa Faísca de Aladim é a companhia-personagem "Sexta-Feira" do Goto?
Diz a lenda universal das artes que todo escritor é um grande mentiroso. No caso do clássico GOTO, romance, é um livro que o leitor também navega ora em águas barrentas, ora clarificadas por chispas de cisternas, janelas para o céu de cada um, mergulha aqui e ali em águas profundas da escrita muito bem elaborada, se aprofunda na narrativa cativante, às vezes sem saber o que é o personagem principal mesmo, o que é o rio, a palavra, o que é a canoa-imaginação, os causos, embutidos num salame de fatos, sentindo a alma do escritor no arrazoado das idéias literárias de grosso calibre e de alto quilate. Goto-rio-canoa, às vezes o leitor pergunta se o que lê é isso mesmo, se há mais alguma coisa no tácito, o que é a contracorrente de um final, indo até ao sub e o sob e o sobre do espírito viajoso do menino entrevado em questionamentos, tipo, saber de onde veio, para onde vai, quem é enquanto ser e espécie, o que é realmente o verbo viver, qual vai ser seu futuro de limitado e sozinho, menino com paralisia que fala muito, canta, voa, conversa com animais e leva o barco no bico, mais a fragilidade no seu lado sentidor, muito loquaz e perguntador de primeira, quando, encharcado de loas e lorotas busca explicações para o que não há, não foi revelado ainda, não tem, principalmente ali no átomo e no mato com cachorro, não virá – precisa fugir! fugir! fugir”! - a vidinha no rami rami da beira-rio sem fim, com seus fantasmas, sonhos, perguntamentos e frustrações, não cabendo em si e no seu barco em desproposital filosofia náutica, entre crendices marotas, cismas rotineiras e seu andar de segura peito, seu calcanhar de frigideira.
Navegar é preciso? No romance GOTO é até preciosamente precioso.
À deriva é dentro de nós?
Soltem os remos!
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Maria da Gloria L. M. Aranha
mglaranha@bol.com.br
Jornalista, Publicitária, Professora
http://desvairadosinutensilioscyberpoetasilas.zip.net/
Wednesday, September 18, 2013
O TAL DA POESIA, NOVO LIVRO DE SILAS CORREA LEITE O TAL DO POETA
Acordo, como, bebo, sangro, vegeto, durmo. Tudo outra vez. Para depois acordar triste de novo, na mesmice de uma sórdida existencialização, em que a hipocrisia impera e a mediocridade não tem limites. Todos deveriam ter um cérebro. E deveria haver também uma recarga sistemática de vez em quando. Todos deveriam ter alma, sentimento, coração. Mas aí seria pedir muito, pedir demais. Não seríamos condenados a existir se fôssemos santos. Escrevendo pago a minha pena, dando testemunho do horror que é estar na terra, aterro sanitário a deriva no espaço. Não sei ser SER. Nunca vou conseguir me parecer com isso. A poesia é meu labirinto curativo, purgativo, válvula de escape, saída de emergência. Estou fechado para escrever Poesia. Não me procurem mais. Não me reconheço em mim. Escrevendo Poesia tendo pagar a minha taxa de trevas. Cuidado frágil. Esse lado para cima. Perguntem ao pó. – Silas e suas siladas
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